Filme ‘Catadores de História’ recebe três prêmios no Festival de Brasília

Longa foi eleito melhor filme da Mostra Brasília pelo júri oficial
Filme 'Catadores de História' recebe três prêmios no Festival de Brasília
Foto: Letícia de Oliveira

O longa-metragem ‘Catadores de História’ dirigido pela cineasta Tânia Quaresma recebeu três prêmios no 49a edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Os troféus de Melhor fotografia, por Waldir de Pina, Melhor trilha sonora, por Dimir Viana, e Melhor filme da Mostra Brasília pelo Júri Oficial, foram comemorados com muita emoção pela equipe de produção e público presente na cerimônia de premiação no dia 27 de setembro.

“Durante todo o processo de filmagens, o que mais ouvimos foi sobre a importância de catadoras e catadores serem vistas(as), serem reconhecidas(os) . Essa é a importância da participação do filme em festivais: tornar visível o universo da catação”, declarou Tania Quaresma, diretora do filme.

O filme retrata a história de Catadores de Materiais Recicláveis de várias regiões do Brasil e comoveu pela riqueza dos depoimentos e diálogo intenso com os Catadores que puderam acompanhar todo o processo de produção por meio de exibições públicas de trechos do filme e opinar sobre o resultado. Além disso, os catadores Ronei Alves, de Brasília, e Alex Cardoso, de Porto Alegre, integram a equipe de produção como Assistentes de Direção.

“Esse prêmio é para todos os catadores e catadoras do Brasil. Nós catadores merecemos. Agradeço todas as lideranças e todos os envolvidos. Foi esforço e vontade de todos os catadores.”, declarou Eduardo Ferreira de Paula, catador de São Paulo, que é um dos entrevistados no filme.

“Nunca poderia imaginar que nós poderíamos trazer às telas a história daqueles que muitas vezes não são lembrados, são esquecidos. Aqueles que estão ali, mas são invisíveis, aqueles que fazem um trabalho importante, muito mais do que qualquer doutor, um trabalho realmente para a natureza”, declarou Alex Cardoso emocionado.

Parte de um projeto maior que realizou oficinas culturais com filhos de catadores, Mostra Multimídia, livro/almanaque, coleção de folhetos de cordel e exibições populares nos lixões a cooperativas de catadores, o filme Catadores de História é também o primeiro de uma trilogia que produzirá “O que é lixo”, com depoimentos pessoais sobre o significado da palavra “Lixo”, e “Lixo no mundo” que abordará a problema em diversas partes do mundo.

O objetivo do projeto é retratar, de forma realista e digna,a vida desses(as) profissionais neste momento histórico e mostrar de que maneira eles e o país estão fazendo a transição para a nova realidade do planeta.

Veja os vídeos da premiação, primeira exibição no Festival de Brasília e as fotos da exposição multimídia no site do MNCR. 

Melhor Filme de longa-metragem: Catadores de história, de Tânia Quaresma

documentário, 75min, 2016, DF

classificação indicativa Livre

Sinopse: O filme mostra o cotidiano de Catadoras e Catadores de materiais recicláveis, que tiram seu sustento do que a sociedade descarta e chama de “lixo”. Partindo do “lixão da estrutural”, maior “lixão a céu aberto da América Latina”, que fica em Brasília, a 18 quilômetros do Palácio do Planalto, o documentário desvenda a multifacetada realidade dessas (es) profissionais que, apesar das condições sub-humanas de trabalho, conseguem dar exemplo de união, dignidade, solidariedade e cidadania. Filmado principalmente em Brasília, o longa-metragem traz também imagens de outras regiões do Brasil, compondo um painel que ajuda a entender o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, editado em 2011.

Fonte: MNCR

 

Jovens têm Encontro com a Sustentabilidade Planetária e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

IMG_4785Organizado pelo Programa Jovem Monitor/a Cultural em parceria com a Aliança Resíduo Zero Brasil ocorreu no último dia 22 mais um encontro de formação de 130 jovens com o tema sustentabilidade planetária, águas, consumismo e os impactos na vida contemporânea.

Durante o período da manhã os jovens participaram da apresentação do panorama geral sobre sustentabilidade e a relação com a geração de resíduos sólidos, apresentado por Nina Orlow e Clauber Leite, representantes de Aliança Resíduo Zero Brasil.

Nina Orlow apresentou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), falou sobre a capacidade dos seres humanos de gerenciar os recursos naturais do nosso planeta, da desigualdade na distribuição deles, do consumo e descarte dos produtos gerados. Destacou a prioridade número um em relação aos resíduos, o não gerar, pontuando a mudança de comportamento e de cultura do consumo para se atingir esta meta. Clauber Leite apresentou cada um dos 17 ODS e focou no Objetivo 12 (Consumo e Produção Responsável), relacionando o desperdício de alimento, uso eficiente dos recursos naturais e manejo adequado dos resíduos químicos. No debate, Elisabeth Grimberg respondeu a questionamentos feitos pelos jovens sobre o padrão perdulário de produção, colocando o desafio da ARZB em formular propostas para a elaboração de uma Política Nacional de Produção Durável.

Caio Ferraz, diretor da websérie “Volume Vivo”, apresentou o capítulo “Água de dentro”, que “expõe as possíveis consequências de uma gestão de recursos hídricos que tem como lógica buscar água cada vez mais longe, ao mesmo tempo que negligencia as fontes de água próximas”. Para Ferraz, meio ambiente e cultura não podem ser separados, pois tudo é produção cultural, assim como o consumo. Durante o debate, foram levantados assuntos como o consumo excessivo de água pelas indústrias, a água e a natureza como um produto, a situação atual das obras para abastecimento de água da capital paulista e as garantias de acesso à água potável e ao tratamento de esgoto.

Jovens no Pátio de Compostagem da Lapa
Jovens no Pátio de Compostagem da Lapa

Foram feitas visitas técnicas a dois espaços de processamento de resíduos sólidos domiciliares: um grupo de jovens

visitou o Pátio de Compostagem da Lapa e aprenderam sobre a compostagem com leiras e com minhocas, recebendo amostras do composto gerado no Pátio. Foi montada uma composteira para o aprendizado concreto neste local. Outro grupo foi conhecer a Cooperativa CooperVivaBem, onde tiveram a oportunidade de entender a estrutura do trabalho e os processos de classificação e pre-beneficiamento dos materiais processados, assim como as condições e organização do trabalho dos cooperados. Os jovens foram acompanhados por representantes da Aliança Resíduo Zero Brasil e da equipe do Programa Jovem Monitor Cultural.

Cidade alemã proíbe cápsulas de café em repartições públicas

Decisão foi tomada por Hamburgo, 2ª maior cidade da Alemanha. Para departamento ambiental, cápsulas não são facilmente recicladas.

Fonte: g1.com.br/ Cidade alemã proibiu cápsulas de café em repartições públicas (Foto: Denis Balibouse/Reuters)
Fonte: g1.com.br/ Cidade alemã proibiu cápsulas de café em repartições públicas (Foto: Denis Balibouse/Reuters)

A cidade de Hamburgo, a segunda maior da Alemanha, proibiu a compra de cápsulas descartáveis de café por repartições públicas, em uma medida para reduzir a quantidade de lixo que polui o meio ambiente, segundo o jornal inglês “Independent”.

Jan Dube, porta-voz do departamento de Meio Ambiente e Energia de Hamburgo, destacou que tais cápsulas não são facilmente recicladas, porque são muitas vezes feitas a partir de uma mistura de plástico e alumínio.

“Nós aqui em Hamburgo pensamos que essas cápsulas não devem ser compradas com o dinheiro dos contribuintes”, disse Dube.

A medida faz parte de um documento de 150 páginas, que também proibiu a compra de garrafas plásticas de água, produtos de limpeza à base de cloro e pratos e talheres de plástico. Segundo o relatório, tais produtos geram resíduos desnecessários.

Fonte: g1.com.br

ExpoCatadores 2015

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A sexta edição da Expocatadores, aconteceu no Centro de Exposições Anhembi (SP), entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, reuniu aproximadamente quatro mil catadores e catadoras brasileiros e de outras nações.

Sendo o maior evento sócio ambiental do Brasil, com a presença de catadores de todo o país e América Latina, no Centro de Convenções Anhembi, este teve sua abertura marcada pela entrega do III Prêmio Cidade Pró-Catador – iniciativa da Fundação Banco do Brasil em parceria com a Secretaria de Governo (SG), que reconhece boas práticas de prefeituras ou consórcios municipais para a inclusão social de catadores de materiais recicláveis na gestão dos resíduos sólidos.

Cachoeira de Minas (MG), Santa Terezinha (PR), Campo Largo (PR) e Canoas (RS) são os quatro municípios vencedores da terceira edição do Prêmio Cidade Pró-Catador. Os prêmios de até R$ 120 mil foram entregues nesta segunda-feira aos respectivos gestores.

Dentre os participantes da solenidade de abertura, estiveram presentes o Ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto;Secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, Simão Pedro Chiovetti, Secretária Nacional de Articulação Social – Presidência da República, Érika Borges; Roberto Laureano – ANCAT/MNCR; Deputado Arnaldo Jardim – Relator da PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos; Victor Bicca – Presidente do CEMPRE,Ex-Senador Eduardo Suplicy epresidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek.

No dia em que finalizou a sexta edição da Expocatadores, cerca de 1200 catadores e catadoras de todo o Brasil e de outros países latino-americanos participaram da Marcha Nacional, no Centro de São Paulo. Segundo Alex Cardoso, da equipe de articulação do MNCR, a manifestação teve o objetivo de chamar atenção do poder público e da sociedade para a importância do trabalho dos catadores para o meio ambiente, por isso esse trabalho precisa ser valorizado e colocado como prioridade. “Nossas cooperativas precisam ser contratadas e pagas por esse trabalho de coleta que fazemos hoje gratuitamente”, afirmou

Os temas da marcha foram a contratação e pagamento por serviços prestados pelos Catadores de Materiais Recicláveis, os direitos garantidos na lei 11.445/2007 (Lei Federal do Saneamento Básico); infraestrutura e desenvolvimento tecnológico das cooperativas e associações de catadoras e catadores; fechamento dos lixões e punições as prefeituras que ainda não tiveram ações pra fechar seus lixões com inclusão total dos catadores; a Reciclagem Popular e a Gestão de Resíduos – Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular – PRONAREP; e aprovação da PEC 309 – aposentadoria especial.

O último dia do evento foi marcado pela assinatura do contrato de prestação de serviços de coleta seletiva, entre o prefeito de Itapira (SP), José Natalino Paganini e a Associação dos Coletores de Resíduos Sólidos de Itapira – ASCORSI. De acordo com ele, há quatro anos o município avança no compromisso da lei de Resíduos Sólidos. “Começamos a partir de uma situação precária, mas hoje contamos com um barracão de 1300 metros quadrados. Nosso objetivo é avançar ainda mais com esta causa justa e nobre”, afirmou.

Conheça mais sobre as iniciativas do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis

 

Modificado de: http://www.mncr.org.br/noticias/noticias-regionais/expo-catadores-2015-chega-ao-fim

http://www.mncr.org.br/noticias/noticias-regionais/expocatadores-inicia-em-sao-paulo-com-a-entrega-do-iii-premio-cidade-pro-catador 

 

Metas de redução de resíduos estão atrasadas no Brasil

Movimentos sociais e consumidores reclamam que medidas do Plano Nacional de Resíduos Sólidos não saíram do papel e cobram ações claras. Brasil não oferece condições plenas para que cidadão reduza a produção de lixo.

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“O atraso na execução do plano estimulou várias organizações da sociedade civil a criarem a Aliança Resíduo Zero Brasil, da qual o MNCR e o Instituto Polis fazem parte. Para Grimberg, o cumprimento do PNRS exige um pacto conjunto de milhares de empresas – das grandes multinacionais até os comerciantes de bairro.”

 

Depois de 20 anos de discussão, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi aprovado em 2010 com uma meta ambiciosa: o Brasil acabaria com os lixões até 2014. Hoje, ainda existem mais de 2 mil lixões ativos no país, onde 54% das cidades brasileiras depositam seus resíduos. Em muitos municípios ainda não há coleta seletiva, e a responsabilidade pula de colo em colo.

Conforme o Compromisso Empresarial para a Reciclagem, apenas 13% da população brasileira têm acesso a programas municipais de coleta seletiva. Ela ocorre em 927 municípios (17%), a maioria nas regiões Sul e Sudeste. A coordenadora de resíduos sólidos do Instituto Polis, Elisabeth Grimberg, afirma que o setor privado e todas as esferas de governo estão atrasados para oferecer ao cidadão a condição de reduzir o lixo que produz.

Mais da metade das cidades ainda utilizam lixões

“Ainda temos a dificuldade em mostrar que o cidadão é um ator importante no caminho para o resíduo zero, porque toda a produção é feita para ser descartável. Na melhor das hipóteses, a pessoa vai separar para a reciclagem”, explica.

Segundo Alex Cardoso, da equipe de articulação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), o plano nacional foi uma conquista, mas falha ao não responsabilizar fabricantes, governo e consumidores quando estes não cumprem suas obrigações.

O resultado é que a implementação do PNRS de fato está travada. “Há debates sobre prazos, dificuldades de aplicação da política, falta de recursos. São falsos debates que circundam a política para ela não ser aplicada”, critica.

Um dos principais pontos de discórdia é a adoção da logística reversa, segundo a qual os fabricantes são responsáveis pelo descarte das embalagens que produzem. Uma empresa de refrigerantes, por exemplo, é obrigada a criar um sistema para recolher latas e garrafas e encaminhá-las para reciclagem.

Mas Cardoso ressalta que as grandes empresas pagam pela geração do lixo que produzem em países europeus, mas não querem assumir esses custos na América Latina, muito menos quando a lei não os obriga a isso. “O PNRS jogou o debate do pagamento e a responsabilização pela geração do resíduo para o próprio setor empresarial. São os próprios empresários que vão definir a forma que contribuirão. Assim a política fica amarrada por acordos setoriais”.

O atraso na execução do plano estimulou várias organizações da sociedade civil a criarem a Aliança Resíduo Zero Brasil, da qual o MNCR e o Instituto Polis fazem parte. Para Grimberg, o cumprimento do PNRS exige um pacto conjunto de milhares de empresas – das grandes multinacionais até os comerciantes de bairro.

“Isso deveria funcionar com a responsabilidade estendida do gerador do resíduo. O setor público ou privado poderia contratar cooperativas de catadores para gerenciar a cadeia. A rede de cooperativas de catadores deveria ser estruturada e remunerada para participar deste processo”, defende.

Máquina de separação de lixo para reciclagem no RJ

A revolução dos catadores

O renomado ambientalista José Lutzenberger costumava dizer que “o lixo não existe, o que existe é a matéria-prima no lugar errado”. A máxima é cumprida à risca diariamente pelos mais de um milhão de catadores nas ruas e nos lixões do Brasil, organizados em 37 mil cooperativas, mais ou menos estruturadas. A categoria é gigantesca, mas as cooperativas juntas são responsáveis pelo tratamento e reciclagem de apenas 3% dos resíduos no Brasil – um índice muito baixo para o tamanho do problema.

O MNCR trabalha com 54 cooperativas para fazer um estudo nas grandes cidades e apresentá-lo ao governo e ao setor privado a fim de desentravar o PNRS. Equipes do movimento monitoram a organização interna das cooperativas de catadores – desde a chegada do material, passando pela triagem até a destinação final do resíduo. A ideia é quantificar a economia ambiental que os catadores proporcionam.

“Achamos que, trazendo o valor em dinheiro, poderemos constatar a conta que as empresas devem pagar pela produção dos seus resíduos”. Um catador ganha R$ 1,70 real pelo quilo de latinha coletada, mas o lingote chega à fábrica no valor de R$ 17 por quilo. “Nós temos um grande problema que supera a ordem de 1000% sobre o valor e ninguém sabe onde está a diferença ou quem ganha com isso. Há um mercado de atravessadores invisível aos olhos legais, um sistema organizado, que explora os catadores. Queremos que este mercado seja justo”, reivindica Cardoso.

Os catadores querem ter acesso a recursos que, do ponto de vista do MNCR, deveriam ser pagos pelas empresas. “Assim, poderíamos pelo menos dobrar o número de cooperativas, chegando a 6% do tratamento dos resíduos”, estima o catador. Para isso, eles esperam formalizar a categoria para poder fazer contratos com governos e empresas.

Cardoso sugere que o Governo Federal poderia oferecer uma contrapartida ao serviço desempenhado pelos catadores, como a facilitação de uma linha de crédito para que as cooperativas possam se organizar e se equipar.

“Queremos trabalhar com o resíduo de ponta a ponta, fazendo com que, em primeiro lugar não venha a geração de lucro, mas uma ordem de proteção e defesa ambiental”.

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