Plano tenta acabar com 280 lixões no Ceará

Hoje, o Estado lança o Plano e a Lei Estadual de Resíduos Sólidos, além de um diagnóstico sobre o descarte de lixo.

por Karine Zaranza – Repórter

Apesar de a Lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos em 2014 e proíbe os lixões, o Ceará ainda mantém 280 locais de descarte de lixo a céu aberto. O diagnóstico preocupante será apresentado hoje pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) durante o lançamento do Plano e a Lei Estadual de Resíduos Sólidos, na Assembleia Legislativa, com a presença do governador Camilo Santana.

“É um dos mais graves problemas ambientais do Ceará atualmente. Com o plano, queremos, em 20 anos, acabar com a vergonha de termos 280 lixões no Estado. São ilegais porque não deveriam existir desde 2014, além de promoverem riscos à saúde e ao meio ambiente”, declarou o titular da Sema, Artur Bruno.

O diagnóstico mostrou ainda que, dos 184 municípios, apenas oito utilizam aterros sanitários, localizados em Fortaleza, Caucaia, Aquiraz, Mauriti e Brejo Santo. “Nesses cinco aterros deveriam ser depositados apenas os rejeitos, que é todo o material que não pode ser reciclado. Atualmente, pouco é reciclado”, ressalta Bruno. Outro ponto é em relação a coleta seletiva, presente em apenas 21 municípios. E desses, apenas em seis ela acontece de forma completa.

planta centro de tratemento

Unidades

Quanto aos resíduos de serviços de saúde, a precariedade do manejo ocorre em relação à falta de plano de gerenciamento destes. Apenas os municípios das regiões metropolitanas de Fortaleza e do Cariri dispõem de unidades de tratamento de resíduos de serviços de saúde.

Todo o processo de funcionamento da coleta seletiva, tarefa que integra as ações de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, é de competência das prefeituras. O secretário estadual reconhece que o investimento é alto para a realidade das gestões municipais.

Dos 26 consórcios realizados em 2005 e 2006, apenas dois irão sair do papel neste ano por falta de recursos. Até 2017, duas Centrais de Tratamento de Resíduos serão entregues em Sobral – beneficiando 15 municípios – e em Limoeiro do Norte – 11 cidades. “Cada Central tem investimento de R$20 milhões. O recurso é da Secretaria das Cidades. Além disso, até o final de 2017, serão entregues 35 ecopontos, que possuem o custo de R$350 mil cada”, promete.

A Sema deve investir cerca de R$9 milhões em planos regionais e na recuperação de áreas degradadas por lixões, que vai beneficiar 60% da população. Artur Bruno afirma que esses planos regionais vão estimular as prefeituras a se organizarem em relação ao problema.

A ideia é apresentar metas de curto, médio e longo prazo que possibilite também ações mais simples e com investimento menor. A divisão em 11 regiões é também uma forma de dividir os custos e garantir o serviço para várias cidades. “Sabemos que um aterro custa cerca de R$8 milhões e os municípios não têm condições, mas é possível realizar uma coleta seletiva, implantar ecopontos, realizar campanhas de educação ambiental. Eles precisam se organizar, ter equipes técnicas e destinar parte do orçamento”.

Incentivo

Entre as ações de incentivo que o Governo do Estado vem tentando realizar, está o licenciamento ambiental simplificado e gratuito para os catadores e a redução de 58,82% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os produtos de toda a cadeia de reciclagem. Foram criados incentivos para melhoria do desempenho ambiental dos municípios cearenses, por meio da certificação do Selo Município Verde – Lei Estadual no 13.304, de 19 de maio de 2003 – e de critérios para distribuição aos municípios de parte da cota de 2% do ICMS, condicionados à melhoria dos indicadores sociais e do meio ambiente.

Segundo o Comitê de Política Monetária (Copom), em 2014, 21 cidades receberam o benefício. “A gente está vendo que muitos municípios estão perdendo recursos por falta de atenção na área de gestão de resíduos sólidos”, pontua Bruno.

Mais prazo para os lixões?

O Projeto de Lei 2289/2015, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, dá prazo até 31 de julho de 2018, para capitais e regiões metropolitanas se adequarem.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deveriam ter sido fechados até 2 de agosto de 2014 Tânia Rêgo/Agência Brasil
A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deveriam ter sido fechados até 2 de agosto de 2014 Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil – 

Estão em tramitação no Congresso Nacional dois projetos que prorrogam o prazo para que municípios passem a dar o destino adequado aos rejeitos de resíduos sólidos, fechem seus lixões e se ajustem de vez à Política Nacional de Resíduos Sólidos. A proposta que prevê o aumento escalonado do prazo, de acordo com o porte da cidade, é bem recebida pelo governo federal porque coloca os municípios na legalidade, como explica a diretora de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Zilda Veloso.

“Apesar de não ser o ideal, se formos observar a Política de Meio Ambiente e a Lei de Crimes Ambientais, havia uma previsão de que os quatro anos seriam suficientes e não foram. O que a realidade nos mostra é que quem tem mais dificuldade são os pequenos municípios. Essa proposta tem uma concordância do Executivo porque ela cria critérios escalonados”, disse, explicando que o outro projeto que prevê a prorrogação linear de quatro anos seria menos justo com os municípios menores.

Para a coordenadora de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, Elisabeth Grimberg, a possibilidade de prorrogação da política é um desserviço e vai esticar seu processo de implantação. “Não contribui para avançar na perspectiva da mudança de padrão da gestão e destinação de resíduos. É um entrave porque quando terminar os novos prazos, de novo os municpois vão deixando pra depois”, disse.

Os problemas na implantação da política poderiam ser tratados de outra maneira, segundo Grimberg, com a atuação do Ministério Público promovendo, por exemplo, Termos de Ajustamento de Conduta junto aos municípios, estabelecendo metas e discutindo como os gestores avançariam no gerenciamento de resíduos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deveriam ter sido fechados até 2 de agosto de 2014 e o rejeito (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado) encaminhado para aterros sanitários adequados.

O Projeto de Lei 2289/2015, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, dá prazo até 31 de julho de 2018, para capitais e regiões metropolitanas se adequarem; até 31 de julho de 2019, para municípios com população superior a 100 mil habitantes; até 31 de julho de 2020, para municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes e até 31 de julho de 2021, para aqueles com população inferior a 50 mil habitantes.

Segundo a diretora do MMA, os médios e pequenos municípios poderiam formar consórcios para construção de aterros, mas acabaram esbarrando na falta de vontade política, falta de técnicos locais para estar à frente dos projetos e de recursos financeiros. “A política hoje é mais complexa, exige que exista um plano de gestão, que o que vá para o aterro seja só rejeito, então tem que ter coleta seletiva e redução da geração de resíduos. Mas solução não é muito fácil”, explicou.

Veloso conta que aproximadamente 41% dos municípios já elaboraram seus planos de gestão e que apenas 58% dos resíduos sólidos gerado nas cidades estão indo para aterros sanitários adequados . Sem a prorrogação dos prazos, os gestores municipais que não se adequaram à política estão sujeitos a ação civil pública, por improbidade administrativa e crime ambiental.

Técnicas de tratamento diferenciadas

A coordenadora do Instituto Pólis explicou que, de todo o lixo produzido no país, 60% é orgânico, 30% é reciclável e apenas 10% é rejeito, que precisa ir para aterro. “Existem soluções práticas e tecnológicas, alternativas concretas de tratamento. Mas tem muita desinformação dos gestores, falta terem maior contato com experiência em andamento no Brasil e no mundo”, disse Grimberg, citando exemplos de iniciativas de compostagem e biodigestão, sistemas de tratamento da matéria orgânica.

Para ela, os gestores locais têm insegurança de migrar do sistema de aterro para o sistema de compostagem e /ou biodigestão, já que isso também requer um estudo em termos de orçamento. “Falta compreender que tem que haver um remanejo, uma reapropriação do recursos orçamentários para ser destinados para implantar novas formas de coleta e tratamento, como parques de compostagem e biodogestão”, disse Grimberg.

A divulgação de técnicas de compostagem, inclusive, é uma prioridade para o MMA, explicou a diretora Zilda Veloso, já que a aproximadamente 51% dos resíduos sólidos gerados são resíduos orgânicos, que nem sempre precisam ser considerados rejeito, algo que não tem aproveitamento técnico ou econômico. Apesar disso, menos de 1% das cidades brasileiras fazem a compostagem, segundo ela.

Além da utilização como adubo, a compostagem reduz a periculosidade da matéria orgânica, que normalmente gera gás e chorume, tornado-a um material inerte. “A questão ambiental tem que ser encarada como uma economia a médio e curto prazo que os governos federal e locais podem fazer, porque ela está ligada à qualidade de vida e saúde das pessoas dentro das cidades, em reduzir as contas de hospital e de recuperação de áreas contaminadas, por exemplo. Os países ricos fazem essa conta, de reduzir os custos da gestão”, disse Veloso.

Ela explica que o MMA oferta, sistematicamente, cursos a distância para gestores municipais, muito focados em pequenos municípios, que são os mais carentes de informação. “E não oferecemos só uma tecnologia, mas colocamos várias ideias necessárias para que se melhore minimamente a gestão de resíduos”, disse Veloso.

Acordos setoriais

Outro ponto da política de resíduos sólidos em implantação são os acordos de logística reversa. Das cinco cadeias prioritárias, três já estão com acordos assinados: embalagem de óleos lubrificantes, lâmpadas e embalagens em geral (plástico, metal, papelão e vidro). As cadeias de eletroeletrônicos e medicamentos ainda discutem os termos do acordo com o MMA.

Um dos impasses para estabelecer a logística reversa dos eletroeletrônicos, segundo Veloso, está no Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados na entrada e saída de mercadorias. “Os estados não estariam reduzindo tributos, mas aplicando um imposto justo na entrada da comercialização. A não cobrança do impostos sobre o resíduo descartado vai implicar em um preço mais justo para propiciar a reciclagem”, disse, explicando que a decisão depende de negociações com os estados.

Outra questão em debate são os pontos de recolhimento de material descartável que, de acordo com a classificação de resíduos, podem ser considerados locais de armazenamento de resíduo perigoso, portanto, sujeito a licenciamento ambiental. Segundo Veloso a questão ainda está em debate no Conama mas o MMA propõe que produtos minimamente íntegros, descartados pelo consumidor, não apresentam perigo.

Neste ano, o MMA deve ainda atualizar aquelas cadeias de logística reversa estabelecidas antes da lei de resíduos sólidos.

Inclusão de catadores

A política de resíduos sólidos prevê também a inclusão socioeconômica dos catadores de material reciclável, que ficariam sem fonte de renda com o fechamento dos lixões. Segundo Zilda Veloso, apesar de não ser regra, naturalmente os municípios deveriam ofertar para eles trabalharem na coleta seletiva e centrais de triagem, por exemplo, assim como as empresas que fazem a logística reversa utilizarem a mão de obra dos catadores.

“Eu acho que para os catadores a política está sendo bem inclusiva, apesar de todas as dificuldades desse último ano. Eles estão crescendo na cadeia”, disse a diretora, citando os programas do governo federal Pró-catador, de inclusão socioeconômica de catadores, e Cataforte, que repassa recursos para cooperativas e associações desses trabalhadores.

Para Ronei Alves, da coordenação nacional do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, os municípios não estão priorizando a política de resíduos sólidos e nem elaboração dos planos de gestão para acessar recursos para o gerenciamento dos resíduos. Por outro lado, ele vê com bons olhos o acordo setorial de embalagens em geral que inclui os catadores como atores importantes da logística reversa.

“As cooperativas e associações podem ser ferramentas importantes no sistema de coleta seletiva e destinação dos resíduos. Gostaríamos que os prefeitos e governadores vissem os catadores como aliados na implantação da política”, disse Alves, contando que existem em torno de 1,2 milhão de catadores no Brasil, incluindo aqueles que estão trabalhando nos lixões e nas ruas.

Sistema de informações para a população

A diretora do MMA disse que o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos está sendo estruturado para integrar todos os dados produzidos pelo governo federal e pelos estados e municípios no atendimento à política nacional. “Vai ser um grande ganho até o final de 2016 termos implantado o sistema. Isso vai dar visibilidade a política nacional, vai fazer com que o cidadão consiga mais informações e fique mais engajado e os próprios órgãos de governo terão uma ferramenta eficiente para propor novas ações, como trabalhar a possibilidade de incluir determinado rejeito na reciclagem no futuro.”

Para Veloso, apenas aparentemente a implantação da política está devagar e logo será possível ver o afunilamento de todas as iniciativas no efetivo cumprimento da política. É uma política com pontos complexos e que mexe com vários atores, segundo a diretora, como catadores, indústria, comércio, Ministério Público e, principalmente, o cidadão. “Porque se o cidadão não fizer a parte dele a cadeia não anda. Se ele não separar em casa o resíduo úmido do seco, como você vai fazer a coleta seletiva? Não faz. Se o cidadão não descartar a lâmpada, o eletrodoméstico, a embalagem de óleo no local correto, a logística reversa não via funcionar. E o cidadão está entendendo que ele tem uma responsabilidade nessa cadeia, tudo é um processo educativo de crescimento”, disse. (Agência Brasil/ #Envolverde)

* Edição: Valéria Aguiar.

** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

MMA divulga guia para gestores municipais

Foto de Paulo de Araújo/MMA
Foto de Paulo de Araújo/MMA

Manual para elaboração dos planos de gestão de resíduos sólidos nas cidades de pequeno porte está disponível em versão digital.

Com o intuito de orientar melhor técnicos de pequenos municípios na elaboração de planos de gestão de resíduos sólidos, em 2013, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) elaborou um manual com sugestões metodológicas, cujo conteúdo norteou as três edições de um curso de Educação à Distância, promovidos pelo MMA desde 2013. Agora está disponível a terceira edição do manual, com atualizações do conteúdo, que pode ser acessada aqui. E ainda neste ano, o Ministério pretende lançar a 4ª edição do curso, com o material atualizado.

A terceira edição do manual atualiza e expõe os entendimentos da equipe técnica do Departamento de Ambiente Urbano do MMA sobre a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), incluindo exemplos e iniciativas inovadoras na gestão de resíduos no país. “Sabemos que uma das principais dificuldades dos pequenos municípios é a disponibilidade de recursos. Esperamos que o manual possa guiá-los na elaboração de seus próprios planos de resíduos, juntamente com o aprendizado via Educação à Distância, evitando, assim, custos com contratação de um serviço que pode ser realizado dentro do próprio órgão”, destacou Eduardo Rocha, gerente de Resíduos Sólidos do MMA.

O Manual de Orientações para a Elaboração de Planos Simplificados de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PSGIRS) para municípios com menos de 20 mil habitantes conta com quatro capítulos que agrupam o conteúdo mínimo exigido por regulamento, como diagnóstico, programas e metas. Contém também orientações sobre cálculo para taxa de resíduos sólidos, fontes para obtenção de recursos, e responsabilidades, entre outros. Segundo Eduardo, as orientações também podem ser utilizadas por municípios maiores.

PLANOS DE RESÍDUOS

Os planos são instrumentos definidos pela PNRS, que auxiliam a tomada de decisão dos gestores municipais quanto às melhores alternativas para a gestão de resíduos. Permitem ainda a redução do consumo de recursos naturais, abertura de novos mercados, geração de trabalho e renda, inclusão social e diminuição dos impactos ambientais por meio da destinação adequada dos resíduos. Seu conteúdo mínimo encontra-se definido no artigo 19 da Lei 12.305/2010.

No caso dos municípios com menos de 20 mil habitantes, a Lei prevê que o Plano poderá ser elaborado de forma simplificada. Segundo levantamento realizado pelo Departamento de Ambiente Urbano, em 2015, dos 3.842 municípios com menos de 20 mil habitantes, 1.606 elaboraram seus planos de gestão de resíduos (41,8%).

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Em 2013 e 2014, o Departamento de Ambiente Urbano ofereceu três edições do Curso de Educação à Distância Orientações para elaboração de Plano Simplificado de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, com duração de cinco semanas. A tutoria realizada pela equipe técnica do MMA na resposta às dúvidas e moderação dos fóruns ampliou o conhecimento dos participantes, que lidam diretamente com a Política Nacional. Concluíram essas três edições do curso 472 alunos, distribuídos por 25 estados e no Distrito Federal. Para mais informações sobre os cursos, basta acompanhar este site.

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): 61.2028-1173*

*Publicado originalmente em Notícias – InforMMA/ Por Marta Moraes – Edição Alethea Muniz

 

Pólis debate a Política Nacional de Resíduos Sólidos em seminário da Defensoria Pública de São Paulo

171215-defensoria-e1450383358260

O Instituto Pólis participou como expositor no painel que tratou da Política Nacional de Resíduos Sólidos durante o I Seminário de Direito Ambiental da Defensoria Pública de São Paulo, realizado no dia 17 de novembro, uma iniciativa da EDEPE – Escola da Defensoria Pública do Estado.

Elisabeth Grimberg, representante da Aliança Resíduo Zero Brasil e do Instituto Pólis abordou a diferença entre os conceitos de resíduos sólidos e de lixo. Para tratar da Política, optou-se por não utilizar o termo lixo, pois remete a algo do qual se quer distância, por ser visto como ruim. Usa-se o termo resíduos sólidos para tudo que pode é descartado, mas pode ser reaproveitado – reciclado, compostado ou biodigerido. E utiliza-se o conceito de rejeitos, para aquilo que não pode ser reciclado ou reaproveitado e deve ser disposto em aterro sanitário.

A representante do Pólis destacou que cabe ao poder público municipal, pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecer normas e procedimentos gerais para a coleta seletiva em três tipos – orgânicos, recicláveis e rejeitos – e seu tratamento e destinação. Além disso, é de sua responsabilidade coletar e tratar os resíduos orgânicos domiciliares e de poda.

Porém a lei também estabelece o compartilhamento de responsabilidades cabendo ao  setor produtivo o custeio dos investimentos em infraestrutura, manutenção dos equipamentos e remuneração dos serviços de coleta e de triagem. Ou seja, a implantação do sistema de logística reversa dos recicláveis – vidros, plásticos, metais, papel/papelão – deve ser assumida pelos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Grimberg destacou que a forma concreta das empresas praticarem o discurso da responsabilidade empresarial, tão caro a elas, é remunerando o trabalho realizado pelas associações e cooperativas de catadores, bem como assumindo os custos de toda a cadeia da recuperação dos recicláveis.

A Política Nacional cria oportunidades para o poder público municipal modificar o padrão de gestão e destinação de resíduos orgânicos, garantindo seu tratamento sob forma de tecnologias disponíveis que podem ter seu uso compartilhado entre um conjunto de municípios, tanto no caso de biodigestão, quanto de compostagem. Segundo Grimberg, os benefícios são significativos do ponto de vista ambiental pela não emissão de gases de efeito estufa, pela geração de energia por sistema de biodigestão e produção de composto orgânico que volta para a natureza, como nutrientes naturais, além de umidificar e regenerar solos degradados.

Roberto Laureano participou deste painel e pautou a relevância da participação dos catadores enquanto categoria de trabalho e movimento organizado na garantia da reciclagem no Brasil. Apontou a grande contribuição do Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis – MNCR na construção da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Enunciou os desafios para que o país mude de patamar em relação à valorização dos catadores na cadeia da reciclagem, sem a qual não se pode avançar de maneira digna e ética e assim alcançar índices maiores de reaproveitamento dos recicláveis.

Fonte: Instituto Pólis

Aliança Resíduo Zero Brasil participa de encontro latinoamericano sobre biodigestão

2015081321092092802

 

O 7º Encontro da Rede Biolac para a América Latina e o Caribe aconteceu de 9 a 13 de novembro em Santiago, no Chile. Com o tema “De resíduos agrícolas a sólidos urbanos, o potencial da biodigestão na gestão sustentável e autoabastecimento energético”, o evento teve uma semana de atividades e debates entre participantes e especialistas nacionais e internacionais a respeito do processo de biodigestão.

O encontro se constituiu em três partes: curso introdutório sobre biogás e biodigestores em pequena e média escala, saída ao terreno para visitação de sistemas e Congresso Latinoamericano.

Clauber Leite, co-promotor da Aliança Resíduo Zero Brasil (ARZB), que compareceu ao evento por meio de apoio da GAIA, ressalta que “o curso introdutório [de biodigestores] foi bastante rico e trouxe muitas informações, sobretudo técnicas, que serão úteis para o desenvolvimento do trabalho da ARZB”.

Durante o evento, houve atividade externa para o conhecimento de sistemas de biodigestores em funcionamento. Na visita de campo, os participantes puderam compreender as dificuldades de implantação e operação do sistema.

Na última parte do Encontro, Leite apresentou a ARZB, a Política Nacional de Resíduos e a publicação “Gestão Sustentável de Resíduos Sólidos Urbanos – Uma proposta para Itanhaém”. Para o co-promotor da ARZB, o mais significativo do Congresso foi o intercâmbio de experiências. Ao fim do evento, houve consenso entre os participantes de que o Brasil carece de uma rede para troca de informações. Sendo assim, as três instituições brasileiras presentes (CETESB, UNIFEI e CIBiogas) decidiram, em conjunto, criar uma Rede Brasileira de Biodigestores.

Fonte da imagem: ConCiencia

Fonte do texto: http://polis.org.br/noticias/alianca-residuo-zero-brasil-participa-de-encontro-latinoamericano-sobre-biodigestao/ 

Reciclando madeira, cimento e vidas

“Tenho muito orgulho e prazer de estar aqui, hoje, à frente desse trabalho. Porque são poucos os que escapam de onde eu e muitos daqui passamos. Meu nome é Fernando Figueiredo. Sou um ex-presidiário.” É com franqueza que o fundador da Cooperativa Sonho de Liberdade, na árida e carente Cidade Estrutural (DF), dá as boas-vindas a um grupo de comunicadores de vários estados brasileiros em visita ao empreendimento social, durante o último dia do 9º Encontro de Jornalistas da Fundação Banco do Brasil, realizado em agosto, em Brasília.fernando-figueiredo-cooperativa
O orgulho e o prazer do brasiliense Figueiredo, 43 anos, seis deles passados na prisão, justificam-se. Afinal, foi ali, na chácara outrora usada para atividades ligadas à criminalidade, que ele conseguiu, por meio do trabalho dignificante, escrever um novo começo de vida para si e para muitos outros ex-detentos do Sistema Penitenciário do Distrito Federal.
Na cooperativa que funciona colada ao maior lixão a céu aberto da América Latina, o “Lixão da Estrutural”, a apenas 15 quilômetros do centro da capital federal, Figueiredo e seus colegas cooperados dão exemplo de sustentabilidade e superação reciclando madeira, cimento, atitudes e sonhos.
Inclusão pelo trabalho
O ex-catador de lixo que entrou para o mundo do crime aos 13 anos conta à plateia de jornalistas que ao chegar à prisão, condenado por assalto e roubo de carro, não conseguia ver boas perspectivas. “Pensei: acabou. Vou ficar velho e, quando sair daqui, o que vai ser? Nunca imaginei o que está acontecendo hoje.”
A guinada na desesperançosa história começou quando ele se integrou ao projeto Pintando Liberdade, desenvolvido pelo Ministério dos Esportes, que ensinava aos internos da Papuda a confecção manual de bolas esportivas. Nas saídas quinzenais as quais tinha direito, Figueiredo vendia na rua, de porta em porta, parte do que era produzido.
Já com acesso ao regime de progressão de pena, ele criou um projeto de inclusão dirigido a egressos do sistema penitenciário, no intuito de apoiar essas pessoas que, a exemplo do que ele passou, costumam enfrentar dificuldades na reintegração aos mundos social e do trabalho, principalmente em razão do preconceito.
O grupo se instalou em 2005 na Estrutural, com o foco de trabalho ainda na produção artesanal de bolas e, em 2007, diante da dificuldade em concorrer com produtos chineses e coreanos, decidiu apostar em uma nova oportunidade de negócios que transitava bem em frente aos olhos. “Nós vimos os caminhões passando na nossa porta, indo despejar entulho de obra no Lixão, e percebemos que a madeira que ia para lá era muito rica”, diz Figueiredo.
Ele conta que pediu então aos motoristas dos caminhões que começassem a descarregar o material no terreno do grupo. “A partir daí, começamos a separar madeira e fazer piquete, estaca, madeira sob medida para a Construção Civil. Não paramos mais. Fomos desenvolvendo produtos e inovando.”
Em 2009, o grupo conseguiu formalizar a cooperativa, mas não sem antes enfrentar a recorrente barreira da discriminação. “Éramos um grupo de ex-presidiários, ninguém com o nome limpo que pudesse abrir um CNPJ. Todo mundo dizia que não queria se envolver ‘porque ia dar formação de quadrilha’”, lembra. “Juiz dizia que não ia dar certo, assistente social não queria dar carta de emprego, só Deus sabe o que nós passamos e o que nós enfrentamos até hoje por conta do preconceito”, diz o fundador do empreendimento, com a voz apertada pela emoção.
Foi o cunhado de Figueiredo, Geraldo Almeida, que acreditou no grupo e deu o aval que faltava. “Somos muito gratos a ele, porque foi quem nos emprestou o nome, quem teve a coragem de confiar, e continua nos ajudando”, afirma.
Projeto consolidado, eles têm hoje o apoio de algumas instituições parceiras, como a Fundação Banco do Brasil, que realizou investimento social de R$ 215 mil na cooperativa para a compra de equipamentos e ferramentas para a produção de móveis e na aquisição de um veículo utilitário para a coleta desses materiais.
Baixa reincidência
Das 100 pessoas que trabalham diretamente na Sonho de Liberdade – indiretamente são 500 envolvidas –, 30 ainda cumprem pena e 15 são ex-detentos. “Muita gente pede emprego aqui, mas nós priorizamos quem estava preso”, diz Figueiredo. O empreendimento social também emprega familiares dessas pessoas, assim como moradores da comunidade em situação de risco de exclusão.
A taxa de reincidência criminal entre os que passam pela cooperativa é pequena, em torno de 2 por cento, afirma Figueiredo. “A gente prega muito firme que o crime e a droga não compensam. A maioria já cansou de sofrer.”
Os cooperados reciclam 100 toneladas de madeira por dia, a maior parte resíduos da construção civil. “Poderia ser mais, porque muita madeira ainda passa batida para dentro do aterro”, ressalta o fundador da cooperativa.
De toda a madeira manipulada, a parte que eles não conseguem aproveitar em uma ampla gama de produtos artesanais e na confecção de móveis sustentáveis é vendida em forma de biomassa para ser usada como combustível em uma multinacional do ramo de alimentos. Além de madeira, a Cooperativa também recicla sobras de cimento usinado e com esse material produz meios-fios e bloquetes para piso.
Segundo Figueiredo, o lucro da cooperativa é de R$ 100 mil por mês. Já foi o dobro, na época da Copa do Mundo do Brasil, com as obras do Estádio Nacional, do VLT e no Aeroporto em andamento. Ele diz que todo o valor é dividido entre os cooperados, conforme a função e a produção de cada um. “Hoje não está sobrando nada para a cooperativa. Nosso maior lucro é ter as pessoas bem”. Ele se orgulha de a instituição, mesmo em ano de crise, não ter dispensado nenhum trabalhador.
De cabeça erguida
Na lista de desafios e de novos sonhos da Cooperativa, hoje presidida pela filha de Figueiredo, Rafaela, está a construção de uma creche e de um restaurante para os trabalhadores. “Hoje temos uma pequena lanchonete que não é suficiente para se fazer um alimento de qualidade para esse pessoal ter força para trabalhar. Aqui o serviço é pesado. Uma pedra de meio-fio pesa 100 quilos”. Ele diz que o empreendimento também precisa de mais máquinas e caminhões para coletar e transportar o material.
“Precisamos de financiamento, porque se gasta muito com esses equipamentos, e vejo que só quem tem acesso ao crédito são os empresários em quem o BNDES e o FCO [Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste] confiam. Nem todo mundo acredita em nós. A gente precisa é de um voto de confiança. Se sem ter dinheiro a gente está conseguindo tocar isto aqui, imagina se a gente tivesse?”, questiona.
Ele ressalta que a cooperativa também precisa de mais capacitação e de assistência aos familiares. “Queira ou não queira, a família desestrutura e sofre muita discriminação quando o seu ente querido está dentro do sistema penitenciário.”
Aos visitantes atentos à história de superação, Figueiredo finaliza dizendo da satisfação em ver seus colegas e amigos mudando de vida. “Meu maior troféu é ver esses homens voltando para as suas famílias. Dizendo ‘hoje eu sou um cidadão’, podendo entrar e sair de qualquer lugar de cabeça erguida.”

Andrés Gianni | ECO Brasília

 

Fonte: http://www.easycoop.com.br/Noticias/View.aspx?IDC=187985&ID=31257

A compostagem domiciliar como instrumento de política pública em São Paulo

minhoca_rio

Dan Moche SchneiderCláudio Spínola e Guilherme Turri

“Utopía […] ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. Para qué sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar”

Eduardo Galeano

A compostagem domiciliar passou a ser objeto de política pública de São Paulo a partir do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da cidade de São Paulo – PGIRS[1], publicado em 2014.  Nesse mesmo ano foram distribuídas composteiras a dois mil domicílios. Os primeiros resultados são surpreendentes!

ANTECEDENTES

Em 2013, três anos depois da publicação da Política Nacional de Resíduos sólidos quase que todos resíduos sólidos coletados pela prefeitura eram destinados aos dois aterros sanitários existentes. Mas nem sempre os aterros foram a principal destinação dos resíduos em São Paulo.

Nas primeiras décadas do século XIX a cidade possuía apenas algumas poucas dezenas de ruas e uma população de mais de vinte mil habitantes, mais de um quarto de escravos.  O lixo neste período era sobretudo orgânico e um assunto que se tratava em casa, enterrado nos quintais, destinado à alimentação de animais ou como adubo de hortas.

Mas nessa mesma época, para manter a limpeza das poucas ruas e becos existentes, o poder público já determinava destinações alternativas para o lixo: “nos fundos das casas do tenente coronel Antônio Maria Quartim” e outros seis locais pré- determinados.

Durante o século XX a cidade e o lixo cresceram aceleradamente e as destinações se diversificaram.  Neste período o lixo de São Paulo foi destinado a lixões, incineradores, centrais de compostagem e aterros sanitários; mas em 2004, todas as destinações haviam minguado à exceção de dois aterros sanitários existentes, um deles situado fora do município.

Esse era ainda o cenário vigente em 2013 quando a cidade, em atendimento a determinação da PNRS planejou a gestão de resíduos sólidos para os próximos vinte anos e estabeleceu programas, projetos e ações para a recuperação de resíduos compostáveis e recicláveis, por meio do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PGIRS.

Centenas de delegados eleitos por milhares de paulistanos e apoiados por especialistas e técnicos da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB decidiram, durante meses e dezenas de reuniões, os principais aspectos do que fazer com os diferentes resíduos gerados em São Paulo.

58 eventos que envolveram mais de 7 mil pessoas e organizações sociais diversas culminaram pela aprovação de diretrizes e estratégias do PGIRS, um plano com contribuições diversificadas, muito debatido, complexo e, sobretudo, socialmente compromissado.

Um dos programas propostos pelos delegados foi a compostagem domiciliar fomentada pelo poder público. As análises demonstraram que os custos da cessão de composteiras – sua implantação, monitoramento e assistência técnica – podem ser cobertos em uma gestão governamental, pela economia obtida com a redução da coleta, transporte e disposição final de resíduos orgânicos.

RESULTADOS INICIAIS[2]

A compostagem in situ começou a ser incentivada pela administração pública de São Paulo logo após a publicação do PGIRS, em junho de 2014, por meio da cessão de composteiras a domicílios unifamiliares[3]. Em seis meses foram recuperados 250 toneladas de resíduos orgânicos.

O projeto denominado Composta São Paulo[4] entregou kits de compostagem doméstica com minhocas para 2.006 domicílios da cidade de São Paulo. Os kits contemplaram uma composteira de 3 caixas plásticas, 2 para o processo de compostagem e uma para a coleta do líquido produzido durante o processo, acessórios e manual impresso.

O projeto Composta São Paulo fez um chamamento público para a adesão de interessados e em aproximadamente 40 dias o projeto teve 10.061 inscrições de regiões e classes sociais diversas do município de São Paulo; até mesmo se inscreveram mais de mil interessados de outros municípios brasileiros!  Foram selecionados 2006 domicílios. A entrega das composteiras foi acompanhada de 135 oficinas de capacitação para mais de 5.000 participantes.

Após 2 meses de uso das composteiras, os participantes do projeto foram convidados para 88 oficinas de Plantio onde receberam dicas e técnicas de plantio em pequenos espaços para utilização do composto produzido pelas composteiras. E criou-se uma comunidade virtual no Facebook[5]. A formação dessa comunidade de “composteiros” encerrou o primeiro ano de projeto com mais de 6.000 membros.

Os resultados do monitoramento do projeto mostram que 89% diminuíram notavelmente a entrega de resíduos para a coleta. Quase todos os participantes enfrentaram alguma dificuldade com o manejo da composteira ao longo do processo, mas isso não se configurou como barreira, tendo em vista o nível de satisfação com a prática de compostagem e com a desistência de apenas 47 domicílios (2,3%).

97% dos participantes que responderam à pesquisa (1535 pessoas), se consideram satisfeitos ou muito satisfeitos com a técnica, 98% acreditam que é uma boa solução para o tratamento de resíduos orgânicos e 86% afirmam ser fácil praticar. 85% acreditam que ter acesso a experiência de outras pessoas por meio do grupo exerceu influência positiva na motivação em compostar e mudanças de hábitos.

29% ajudaram outras pessoas não contempladas pelo projeto a produzir, instalar ou manusear uma composteira. Os participantes que responderam aos questionários (1.535 pessoas) atraíram 2.525 novos participantes, que trataram de montar ou comprar o seu próprio sistema de compostagem.

27% dos participantes doaram minhocas para que outras pessoas pudessem iniciar a pratica. 84% afirmam ter ampliado muito ou razoavelmente seus conhecimentos sobre sustentabilidade urbana; 96% se consideram muito ou razoavelmente mais esforçados em lidar corretamente com os resíduos que produzem; 54% afirmam que passaram a comer muito ou razoavelmente mais frutas e legumes.

A estratégia de comunicação foi essencial para os ótimos resultados iniciais.

Nossa espécie é curiosa, observa Naomi Klein[6] em um livro magistral sobre as mudanças climáticas: “Confrontada a uma crise que ameaça nossa sobrevivência como espécie, toda nossa cultura continua fazendo justamente aquilo que provocou a crise, inclusive colocando um pouco mais de empenho(…)”.

Mas na crise, além de ameaças há oportunidades: “Há formas de evitar esse futuro desalentador ou, pelo menos, de fazê-lo menos ameaçador. O problema é que todas elas implicam também em mudar tudo (…) a boa notícia é que muitas dessas mudanças não tem nada de catastróficas. Muito pelo contrário: boa parte delas são simplesmente emocionantes.”

Na gestão de resíduos sólidos, continuar fazendo justamente aquilo que provocou a crise é continuar a priorizar a gestão “end of pipe”: o desperdício de materiais compostáveis ou recicláveis em aterros sanitários, lixões ou incineradores e cimenteiras.

Quando se olha para a origem, até mesmo o sistema arrecadador pode se tornar mais inteligente e justo: aqueles que recuperam seus resíduos e os desviam dos aterros devem pagar menos do que daqueles que geram mais resíduos, emissões e despesas públicas.

É emocionante observarr a transição da gestão “end of pipe” para a origem, conforme determina a PNRS. As vantagens são muitas e conhecidas: aumento na vida útil de aterros sanitários, redução de GEE; diminuição do número de viagens na cidade; recuperação de matéria orgânica e nutrientes para o solo e plantas; captura do carbono da atmosfera e como material filtrante de GEE de aterros sanitários.

Não é só emocionante, mas surpreende quando nos damos conta dos inesperados benefícios pessoais e coletivos decorrentes da pratica da compostagem in situ, apresentados nos Depoimentos Selecionados[7], realizada pelos empoderados e criativos “mestres composteiros”.

A compostagem in situ é um instrumento de política pública empoderador, forjador de compromissos coletivos, com um extraordinário efeito multiplicador que promove e alenta a cidadania.

Depoimentos Selecionados

  • “Minha relação com insetos e outros bichinhos ficou menos tensa.”
  • “Acho que agora, andar na rua, com uma atitude de maior atenção as pessoas, bichos, plantas e movimentos, atitudes, tem outro entusiasmo! Acho que me tornei mais comunicativa! A consciência social aflorou como uma grande descoberta e surpresa por perceber que não é tão complicado assim melhorar ou ajudar o meio em que vivemos.”
  • “Fico muito atenta ao meu lixo orgânico, e ao lixo dos vizinhos (alguns vizinhos compartilham lixo orgânico comigo). Fiquei mais crítica com a quantidade de comida a comprar. Afeição as minhocas.”
  • “A prática da compostagem me levou de volta a uma paixão pela terra e pelo plantio. Passei a catar caixotes de feira na rua, vasos de plástico e outros recipientes recicláveis, recupera-los e plantar jardineiras para presentear amigos. Tenho plantado canteiras de suculentas, que ficam lindas, e em algumas, já consegui utilizar o próprio composto produzido pelas minhas bravas minhocas!”
  •  “Me sinto conectada novamente. Como se o longo de uma vida inteira não fizesse parte. Tem sido como uma reconexão. Simplesmente por trazer a atenção para o assunto (natureza, interação) com mais frequência. Alimentar as minhocas, retirar o chorume, regar as plantas, entre outras atividades prazerosas que envolvem a compostagem, são como uma Meditação Ativa, Mindfulness, reconexão, um explorar da minha bagunça interna e do silêncio do Todo.”
  • “Cuidar da compostagem se tornou um compromisso porém com o prazer de um hobby! Gosto de fazer isto e me sinto útil e contente por contribuir de alguma forma para a sustentabilidade, mostrando também para outros que não é tão difícil assim mudar de atitude.”
  • “Acredito que um dos pontos mais positivos da compostagem foi o envolvimento da minha irmã mais nova ao longo de todo o processo. Para uma criança, acredito que seja de extrema importância esse tipo de informação e cultura para que se tornem cidadãos plenos e seres humanos de fato HUMANOS.”
  •  “Como passei a plantar e, portanto, mexer mais na terra, uso isso como forma de relaxar, desestressar. Parece que descarrego todas as energias ruins no contato com a terra.”
  •  “Em nossa casa, a reciclagem sempre foi uma realidade mas com a compostagem orgânica, vivenciamos um envolvimento familiar muito interessante: a hora de recolher os resíduos e colocar nas plantas, o cuidado com as minhoquinhas, a atenção com o recolhimento e separação dos resíduos virou um “programa” familiar. Até nossa funcionária gosta do projeto.”
  •  “Não imaginava a fonte de prazer que seria observar diariamente esses processos de decomposição, germinação, equilíbrio natural.”
  •  “Tenho menos “nojo” de vermes e outros animais rastejantes. Também colônias de animais não me assustam tanto, depois de ver a colônia de ácaros que haviam na minha composteira. Lido melhor quando encontro alguma comida que está apodrecendo em casa (ante eu ficava com nojo, quase horrorizada, hoje em dia fico interessada em ver como ela se decompõe).”
  •  “As plantas sempre me trouxeram uma sensação de paz e tranquilidade. Com a compostagem eu passei a cuidar melhor de minhas plantas e a me sentir feliz com isto. É interessante ver que tudo é reutilizável e que cada coisa tem sua função neste planeta, as folhas mortas, os restos de vegetais, as minhocas e que tudo se encaixa de uma maneira fantástica no universo.”
  • “Me inscrevi no Treinamento de Lideranças Climáticas ministrado pelo Al Gore no RJ e fui aceita, me inscrevi numa oficina de Bioconstrução na Casa Fora do Eixo e passei 2 meses em uma fazenda orgânica em Saquarema – RJ. Estou apaixonada pelo Planeta!”
  • “Me envolvi em uma ong, na qual faço parte hoje, que faz palestras de educação ambiental em praças/espaços públicos.”
  • “Dei curso de compostagem na escola do meu filho e no condomínio onde moro. Já “Estou tentando convencer o pessoal de uma igreja aqui da região, que eles podem usar o terreno que está inutilizado por eles, e cultivar alimentos orgânicos e praticar compostagem e captar água da chuva sem muito custo adicional.”
  • “Desenvolvi uma oficina de minhocário de baixo custo (com baldes de margarina) no bairro onde moro. No momento estou implementando esses minhocários numa comunidade cultural do bairro.”
  •  “Vendi meu carro e só ando de bike.”
  •  “Dei uma oficina sobre compostagem doméstica no meu condomínio. :)”
  • “Comecei a participar mais ativamente de alguns encontros, visitei algumas hortas e finalmente comecei a frequentar o Pic Nic de troca de sementes e mudas.”
  • “Fiz uma horta orgânica na escola pública do meu neto.”
  • “Identificação é a palavra. Num mundo individualista, digo sempre que o grupo dos composteiros é o meu favorito!”
  • “Trocar experiências, e pedir opiniões é fundamental quando o objetivo é evoluir num sentido comum. Saber que outros enfrentaram as mesmas dificuldades e lograram sucesso, incentiva na busca de melhores soluções e amplia o conhecimento e, quando este é retransmitido a outros, recicla a própria natureza humana.”
  • “Definitiva. Foi através da página do facebook que aprendi as lições mais importantes sobre como manter a composteira. Outra coisa legal da página foi me re-conectar com pessoas que eu já conhecia, ou seja, já eram meus contatos no facebook, mas eram pessoas distantes de meu convívio, e quando vimos que estávamos na mesma página e fazendo compostagem, nos reconectamos!”
  • “Cuido do meu pai que tem demência e não tenho muito tempo pra participar de cursos. Sem este grupo ficaria muito difícil para leigos como eu continuarem com a compostagem, além de serem muito dinâmicos dando dicas para acabar com as drosófilas e outros insetos. Tenho muitas dúvidas e sempre pergunto pra eles, tenho sempre resposta até hoje. Obrigada.”
  • “O que tem sido mais interessante é notar e satisfazer a curiosidade dos visitantes da casa com relação à compostagem com minhocas. Muitos amigos se inspiram ao perceber que o processo é simples. Não sei dizer se levarão a ideia a cabo, mas apenas de discutirem o assunto já sinto que algo mudou.”
  •  “Os amigos que não participam do projeto ficam curiosos em conhecer como a composteira funciona e pedem composto e biofertilizante.”
  • “O mais positivo ao meu ver é o caráter contagiante do projeto. Eu mesma estou mantendo a composteira no espaço comum do prédio onde moro e só na primeira semana 6 pessoas além de mim já viram e aprenderam sobre compostagem por causa do projeto. Imagine até o final do projeto, cada um dos 2000 participantes, irá multiplicar muito isso e por isso, ao meu ver, será permanente.”
  • “Envolvimento. Esta é a palavra que agrega tudo o que vivenciamos a partir do momento que iniciamos o projeto. Envolvimento meu e de meu marido que abraçamos a ideia. Envolvimento de minhas filhas que foram se apropriando e incorporando a seleção do que ia para um ou outro cesto (inclusive “importamos” umas minhocas para Botucatu, onde minha filha mora e seu namorado iniciou uma compostagem na república que moram). Envolvimento de nossos parentes e visitas que saem de casa com uma outra concepção do que é lixo e, claro, muitos nos pedem para vir ver a composteira doméstica. É a estrela daqui de casa! (rsrs) Estamos realmente envolvidos neste projeto e muito felizes em fazer parte de um momento histórico tão significativo em nossa cidade. Fazendo a diferença para que em um futuro próximo isso seja um hábito, mudança estrutural na cultura dos grandes centros urbanos do nosso país.”
  •  “É interessante ver que toda família se animou com a composteira e até amigos se interessaram. O lixo orgânico diminuiu muito e se tornou algo até como distração para minha mãe.”
  •  “A experiência de ter uma Composteira em casa é indescritível, ter a responsabilidade e comprometimento da redução do lixo disposto em lixões. E fora as aulas de compostagem para cada visitante de sua casa.”
  • “Meu presente de natal para os amigos foi um lindo vidro de chorume do bem com um laço de fita vermelho e verde! foi um sucesso!”
  • “Acho positivo que a prefeitura de uma capital, como SP, se posicione e incentive a população a cuidar de seus resíduos.”
  •  “O mais interessante é a experiência, o aprendizado. Foi graças a compostagem que aprendi o quanto realmente preciso comprar de comida pra minha família, pois passei a observar o que descartava.”
  • “O volume de resíduos que estou deixando de jogar no lixo é bastante considerável!”
  • “Primeiro, gostamos muito de saber que a prefeitura está engajada em reduzir os resíduos sólidos nas residências – nosso lixo realmente diminuiu 70% (a gente já reciclava), passando de 1 saco de 100l por semana que ia pro aterro, pra um saco de 100l a cada 3, 4 semanas. Além disso, o grupo no facebook tem se mostrado muito útil e acolhedor, muitas pessoas se ajudando!!!”
  •  “Mudança nos meus hábitos alimentares, estou começando a comer menos carne e mais vegetais e frutas.”
  •  “Talvez meio incongruente mas é verdade… o lado lúdico!!! O fato de ser divertido compostar… unir a preservação do meio ambiente e ao mesmo tempo ser divertido.”
  •  “O mais positivo é reduzir o resíduo orgânico! Eu reduzi meu lixo pela metade depois de fazer a compostagem caseira! =)”
  •  “Participar de um projeto coletivo. Unir é preciso. Aprender coletivamente é essencial.”
  •  “A diminuição de resíduos orgânicos em casa é incrível! Antes levávamos o lixo no mínimo 1 vez por dia e uma grande quantidade. Agora a lixeira além de permanecer limpa por só ir resíduos secos, só é esvaziada em média a cada 2 ou 3 dias.”
  • “Nunca antes eu havia conhecido ou ouvido falar sobre uma abordagem como esta desenvolvida para construir uma política pública, ou ainda um projeto como este para incentivar a compostagem doméstica em uma cidade grande como São Paulo, dada a complexidade para enfrentar este desafio. O projeto foi estruturado e desenvolvido de forma exemplar, sem nenhuma falha, e com muita dedicação de sua equipe. Em resposta a tal esforço eu vejo a forma como os participantes se identificaram com o projeto e fizeram dele parte de suas vidas, construindo também uma rede participativa de compostagem doméstica. Quando penso neste projeto penso em muito mais do que a transformação de resíduos domésticos, penso na transformação de vidas, de comunidades e de toda uma cidade.”
  •  “Primeiramente gostaria de parabenizar a iniciativa do projeto e a parceria. Achei a proposta muito corajosa ao incentivar a mudança de paradigma, o empoderamento de cada indivíduo, se todos fizermos um pouco singularmente com certeza faremos muito coletivamente. O projeto faz você perceber que a mudança é possível e começa dentro de casa!”
  • “Esse projeto é ótimo, conseguiu atingir e sensibilizar pessoas de diversas classes sociais, com diferentes níveis de formação escolar, desde profissionais com especialização, professores, pais de alunos de baixa renda em escola pública. Práticas como essa devem ser incentivadas, estimulada e divulgada, para que assim possamos transformar o ambiente em que vivemos em algo melhor. Se não tivesse ganhado essa composteira, dificilmente eu compraria uma, mas depois de ver o sistema funcionando me convenci da importância de pequenas ações e processos, e a importância da participação da Prefeitura de São Paulo, e a parceria com o projeto Composta São Paulo. Esse tipo de projeto me fez sentir parte de um projeto e ação maior, de ver o Estado próximo ao cidadão, não apenas para cobrar impostos, mas direcionando parte da verba da contribuição ao próprio cidadão e melhorando nossa cidade.”
  •  “Adorei a iniciativa do Projeto. Vai ser uma história e tanto para ser contada e vivenciada daqui alguns anos por todos (assim espero).”

 

  1. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA
  1. Limpeza urbana na Cidade de São Paulo: uma história para contar / [organização e texto Ariovaldo Caodaglio, Roney Cytrynowicz ; fotografia Henrique Luz]. — São Paulo: Via Impressa Edições de Arte, 2012.
  2. BRASIL. Lei n.º 12.305, de 02 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Diário Oficial República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 03 ago. 2010. Seção 1 p 3.
  3. PMSP. Prefeitura da Cidade de São Paulo. Secretaria de Serviços. Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Cidade de São Paulo. São Paulo: Abr, 2014. 456p. [Disponível emhttp://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/servicos/arquivos/PGIRS-2014.pdf)]
  4. INACIO CT; BETTIO DB; MOMSEN MILLER PR. O papel da compostagem de resíduos orgânicos urbanos na mitigação de emissões de Metano. Embrapa Solos. Rio de Janeiro, RJ, 2010

 

Dan Moche Schneider (danmoche@gmail.com). Engenheiro com mestrado em saúde ambiental é consultor de governos e organismos internacionais. Participou na elaboração do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de São Paulo, responsável pelos resíduos orgânicos. Atualmente vive no Peru onde faz seu próprio composto a partir de mais de 90% dos resíduos orgânicos produzidos em seu apartamento e experimenta os mesmo benefícios pessoais e coletivos observados em São Paulo.

Cláudio Spínola – Artista plástico pela Universidade de São Paulo, educador Ambiental e empreendedor Social, diretor executivo da Morada da Floresta. Ministra cursos e palestras relacionadas à sustentabilidade, desenvolve sistemas de compostagem para pequenos, médios e grandes geradores de resíduos orgânicos e consultoria em sustentabilidade. Idealizador e coordenador do projeto Composta São Paulo.

Guilherme Turri – paulista, 33 anos, formado em Comunicação Social pela ESPM. Trabalhou com pesquisas de comportamento e consumo desde 2004, atuando tanto na área de campo e como também de análise e planejamento estratégico. Em 2013, foi responsável pela coordenação estratégica, de comunicação e mobilização e pelas pesquisas do projeto Composta São Paulo.



[1] Disponível no sítio da Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo à qual está vinculada a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB emhttp://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/servicos/arquivos/PGIRS-2014.pdf

[2] Video sobre os resultados iniciais disponivel em https://vimeo.com/127681378

[3] O projeto Composta São Paulo é uma iniciativa da Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo, por meio da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB, realizado pelas concessionárias de limpeza urbana (LOGA e ECOURBIS), idealizado e operacionalizado por empresa referência em compostagem doméstica e empresarial (MORADA DA FLORESTA)

[5] https://www.facebook.com/groups/compostasaopaulo/

[6] Klein, N. Esto Lo Cambia  Todo: el capitalismo contra el clima. Paidós. Editorial Planeta Colombiana S.A. Primera Edición: abril de 2015 (Colombia).

[7]http://www.compostasaopaulo.eco.br/downloads/Depoimentos Selecionados.pdf

Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/dan-moche-schneider/a-compostagem-domiciliar-como-instrumento-de-politica-publica-em-sao-paulo

Semadur realiza 1º Simpósio sobre Políticas Sustentáveis e Educação Ambiental

O Simpósio será realizado no dia 21/08, às 19 horas, no auditório Almir Sater, no Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande, Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 1800 / Divulgação
O Simpósio será realizado no dia 21/08, às 19 horas, no auditório Almir Sater, no Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande, Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 1800 / Divulgação

O foco é discutir sobre resíduos sólidos urbanos e seus desafios, compartilhar experiências, além da troca de saberes científicos e populares

Na próxima sexta-feira (21/08), a partir das 19 horas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) realizará o 1º Simpósio Políticas Sustentáveis e Educação Ambiental. O objetivo é discutir a temática dos resíduos sólidos urbanos e seus desafios, compartilhando experiências, proporcionando debates e reflexões além da troca de saberes científicos e populares.

A palestra magna, na abertura do evento, com o tema “Política Nacional de Resíduos Sólidos e Resíduos Zero, Desafios e Perspectivas, será proferida pela coordenadora executiva e de ambiente urbano do Instituto Pólis de São Paulo, Maria Elizabeth Grimberg. A ministrante, com ampla experiência em resíduos sólidos urbanos, desenvolve em diversos municípios do Estado de São Paulo e em outras unidades federadas, um trabalho que aborda o previsto na legislação vigente e as possibilidades que as diversas instituições e entidades possuem para, de forma coletiva e organizada, exercerem ações práticas relacionadas à Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

Para o titular da Semadur, Valdir Gomes, o evento possibilitará ações reflexivas. ‘É uma oportunidade para que, a partir da reflexão coletiva, possa nascer uma união de esforços no sentido de encaminhamentos necessários ao setor dos resíduos sólidos’, conclui.

Já no sábado (22.08), a partir das 8 horas, estão previstas oficinas temáticas nos seguintes temas:

• A coleta seletiva em três tipos e destinações diferenciadas;
• A Educação Ambiental e os diversos atores responsáveis por programas e projetos de orientação e sensibilização da população;
• Logística reversa e a valorização das cooperativas de catadores no Sistema de Recuperação RSU.

As inscrições para as oficinas poderão ser feitas no local. O simpósio é uma realização da Prefeitura Municipal de Campo Grande, por intermédio da Semadur, Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande, Escola Municipal Prof. Fauze Scaff Gatass Filho com o apoio da CG Solurb e Frente Parlamentar Ambientalista.

Palestra de Maria Elisabeth Grimberg
Palestra de Maria Elisabeth Grimberg

Serviço – O simpósio será realizado no auditório Almir Sater, no Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande, Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 1800.

Fonte: http://www.acritica.net/editorias/geral/semadur-realiza-1o-simposio-sobre-politicas-sustentaveis-e/153630/

Há dificuldade dos municípios em atender a legislação federal, não apenas para os resíduos sólidos, mas também para o saneamento.

Carrinho de catador

Nesta entrevista Carlos Henrique, co-promotor da ARZB, fala da necessidade de planejamento e gestão por parte dos municípios brasileiros para atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos e a necessidade de integração dos catadores de materiais recicláveis ao processo de coleta seletiva.

A entrevista foi ao ar na Rádio Jovem Pan de São Paulo em 28 de julho de 2015.