Logística Reversa, Remuneração para os catadores foram uns dos temas debatidos na Câmara de São Paulo

Painel “Perspectiva de Futuro“. Da esquerda para a direita: Jacques Demajorovic, Rodrigo Sabatini, Elisabeth Grimberg, Daniel Carvalho e Eduardo Ferreira
Painel “Perspectiva de Futuro“. Da esquerda para a direita: Jacques Demajorovic, Rodrigo Sabatini, Elisabeth Grimberg, Daniel Carvalho e Eduardo Ferreira

 

Organizado pela Brazil Tomorrow e pela Cicla Brasil e realizado pelo Instituto Lixo Zero, o Fórum Municipal Lixo Zero ocorreu no dia 23 de agosto, na Câmara Municipal de São Paulo, e trouxe a discussão de temas relacionados aos resíduos sólidos, a situação atual dos resíduos em São Paulo e no país, novos olhares em relação ao padrão de produção, iniciativas inovadoras, o poder do consumidor e perspectivas para o futuro.

Além disso, assuntos como a responsabilidade do setor privado sobre os resíduos gerados, a participação das cooperativas na coleta seletiva da cidade e o pagamento pelo serviço dos catadores também foram debatidos. Segundo os palestrantes, o setor privado resiste em assumir a responsabilidade sobre o material que produz, prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos através da Logística Reversa.

Nina Orlow, integrante da Aliança Resíduo Zero Brasil, moderou o painel “O Poder do Consumir”, onde as palestrantes contaram suas experiências nas mudanças de hábitos e costumes do dia-a-dia tentando driblar o sistema consumista não-circular, trabalhando com a iniciativa “do berço ao berço” (Cradle to Cradle termo usado no inglês) e reforçando o conceito de consumo consciente e responsável para não gerar resíduos, criando alternativas para o que já existe.

Elisabeth Grimberg, coordenadora da área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, e Eduardo de Paula, representado o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, ambos integrantes da Aliança Resíduo Zero Brasil compuseram o painel “Perspectiva de Futuro“.

Elisabeth explicou que a escolha do termo “resíduo” para denominar a rede Aliança Resíduo Zero Brasil, baseou-se na Politica Nacional de Resíduos Sólidos que não usa o temo “lixo”. Pontuou também que um dos maiores desafios em São Paulo, e no Brasil como um todo, é a implementação da coleta seletiva em três tipos – orgânicos, recicláveis e rejeito. Somou-se à crítica de outra palestrante, Gina Rizpah, que a precedeu em outra mesa, quanto ao Acordo Setorial (aprovado em novembro de 2015) que não responsabiliza o setor privado efetivamente pelo custeio da coleta dos resíduos recicláveis e dos rejeitos, assim como pelo pagamento dos serviços prestados pelas cooperativas. Na sua visão, este Acordo refletiu os interesses apenas do setor empresarial e não da sociedade. Sobre alternativas para o tratamento da matéria orgânica em São Paulo (cerca de 6.000 toneladas por dia), Grimberg afirmou existirem estudos que indicam que quatro biodigestores poderiam processar, tratar e capturar o gás metano, trazendo benefícios em termos de geração de energia e/ou biogás.  Também sinalizou que esta é uma frente de trabalho que poderá integrar os catadores de forma remunerada.

Já Eduardo, enfatizou que ainda falta muito apoio para as cooperativas e também pagamento pelos serviços prestados, que são de alta qualidade. Destacou que há muita dificuldade em garantir os direitos trabalhistas. Por fim, apontou que os recursos utilizados para destinar resíduos sólidos para três aterros sanitários, como é o caso de São Paulo, poderão ser utilizados pela Prefeitura para fazer uma transição e utilizá-los para atender a PNRS. Fez um apelo para que as entidades que querem fortalecer os catadores e catadoras venham somar de fato com as cooperativas e associações.

Misturar lixo orgânico e reciclável é crime no Canadá

Por muitos anos, a prefeitura de Vancôver tem recomendado o descarte do material orgânico no green bin (lixo verde, em português), mas agora a coisa é para valer. Desde o começo de 2015 é lei: os moradores não podem mais misturar lixo orgânico com recicláveis. Depois de seis meses de “aviso”, quem não seguir a regra será punido.em-vancover-misturar-residuos-organicos-com-reciclaveis-sera-crime

A medida foi tomada pela prefeitura, junto com a ONG Metro Vancouver. Segundo Greg Moore, diretor da organização, todos serão impactados pela nova medida. “Nós precisamos pensar diferente. Precisamos pensar sobre como separamos nossos resíduos orgânicos, recicláveis e nosso desperdício sólido”, explica.

Atualmente, cerca de 60% do lixo da cidade é reciclado. A meta é que até o fim deste ano o número suba para 70% e até 2020 para 80%. O resíduo orgânico da cidade será coletado e encaminhado para compostagem industrial e tudo será transformado em biocombustível eadubo, ajudando no cultivo de hortas.

Além de reduzir a dependência dos lixões, diminui a emissão de gases de efeito estufa e ajuda a combater o desperdício. Ao separar o lixo, as pessoas passam a reparar na quantidade de comida que está sendo jogada fora e, quem sabe, repensam seus hábitos.

Assista ao vídeo da ONG clicando aqui.

Fonte: The Greenest Post

Catadores formam-se em curso técnico de gestão de resíduos em Minas Gerais

Agentes de Gestão de Resíduos sólidos poderão atuar no setor público e privado
Catadores formam-se em curso técnico de gestão de resíduos em Minas Gerais

Vinte e um catadores de materiais recicláveis se formaram no curso de Agentes de Gestão de Resíduos Sólidos em Minas Gerais no dia 18 de maio. O curso foi preparado a partir de demandas do Movimento Nacional do Catadores de Materiais Recicláveis e visa preparar os catadores com conteúdo técnico e prático sobre a gestão dos resíduos, a economia solidária e preservação do meio ambiente. De acordo com a Coordenadora de CMRR (Centro Mineiro de Referência de Resíduos), Jacqueline Rutkowski, essa é a primeira turma do país nessa área.

O catador Geraldo de Andrade Mello, 49, é um dos matriculados e acredita que, com a formação, muitos colegas de profissão vão ter uma visão mais clara da atividade que exercem. Para ele, não basta apenas recolher o lixo, separar e dar a destinação correta. “É importante o catador enxergar que ele pode contribuir para a mudança de comportamento da sociedade”, acredita.  Geraldo coleta o lixo produzido por torcedores nos dias de jogos no Mineirão, pela Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare).

Em números

Em Belo Horizonte, 4,7% do lixo recolhido são recicláveis, de acordo com o dado da Prefeitura da capital. Esse percentual considera os programas de reciclagem de papel, metal, plástico e vidro, orgânicos e resíduos de construção civil. A capital conta com sete cooperativas de catadores e trabalhadores com materiais recicláveis.

Em Minas Gerais, 145 associações e cooperativas de catadores e trabalhadores com materiais recicláveis estão cadastradas na Bolsa Reciclagem. Instituída em 2011, por meio da Lei Estadual nº 19.823, a Bolsa Reciclagem concede incentivo financeiro às cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis pela contraprestação de serviços ambientais.

Durante a construção de propostas ao Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2016-2019, o Governo de Minas Gerais propôs, inclusive, a ampliação gradativa dos recursos reservados para aplicação no programa.

Um dia na cooperativa

A primeira vez dentro de uma cooperativa é  tão impactante que te faz pensar na contribuição dos catadores, na cultura de consumo e em nosso estilo de vida

Por Victoria Risso*

coopamare
Arte na Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis – Coopamare

Fui à Coopamare – Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis,  em São Paulo, junto com alguns colegas, para o “Dia das Boas Ações”, movimento que ocorreu em 70 países simultaneamente no dia 2 de abril.

Ao chegar na cooperativa colocamos nossas etiquetas com nossos nomes na blusa e formamos uma roda para conhecer a história do local, contada pela Dulce, catadora e diretora da primeira cooperativa de catadores do Brasil, fundada em 1989.

Em seguida, fizemos uma atividade de integração e logo fomos divididos em grupos de trabalho para realizarmos atividades que são rotina para os catadores. Os grupos foram divididos em Triagem, Organização (limpeza da área), Pintura e Alagamento. Para que todos pudessem ter uma experiência completa, os grupos alternaram as funções após o almoço.

Para que todos pudessem ter uma experiência completa neste dia, os grupos foram alterados após o almoço.

Eu comecei no Grupo de Organização, no qual limpamos a área onde cai muita água da chuva, molhando o material e fazendo com que eles estraguem, além de alagar. Não foi fácil vivenciar o desafio de organizar uma quantidade de impressionante materiais. 

O Grupo de Triagem foi onde trabalhei na segunda parte do dia. Descobrimos parte da vida de uma pessoa triando seus resíduos. En13015343_10209055910465804_3886894978012219093_ncontramos materiais que não sabíamos que não era passível de ser reciclado, como um rolo de negativos de fotos, aquele plástico que envolve o saquinho de chá, pastas plásticas de documentos, dentre outros. Além de nos depararmos com materiais que obviamente não eram recicláveis (como fralda usada), fomos surpreendidos por potes de vidros sujos, quebrados. Não é por que você descarta os materiais hoje que amanhã eles serão separados. A montanha de sacos plásticos na cooperativa é muito grande, daí a importância de enxaguar os materiais antes de reciclar.

Como estudante de Gestão Ambiental e estagiária na Aliança Resíduo Zero Brasil, achava que conhecia as dificuldades, quais materiais podem ser reciclados, enfim, acreditava que já tinha um volume grande de conhecimento sobre o assunto. No final você percebe que não é bem assim. Todos deveriam passar por experiências deste tipo para repensar, tanto o meio ambiente quanto os catadores. Eles são os nossos reais agentes ambientais, dedicados e capacitados (a final, eu não conseguiria separar e distinguir tantos tipos de papéis e de plásticos) para realizar esta atividade e merecem o reconhecimento da sociedade e melhores condições de trabalho e remuneração, hoje responsabilidade do setor empresarial.

Se posso dar dicas práticas a quem lê e quer colaborar para um país mais justo e menos poluidor, aqui vão algumas: separe os resíduos que gera, de preferência separando orgânico (para compostagem, se puder), rejeitos e recicláveis; faça uma pré lavagem dos recicláveis; não consuma produtos com resíduos não recicláveis ou com reciclagem limitada, como os que já citei e outros como isopor, cápsulas de café expresso e bebidas “de caixinha”; dê prioridade a alimentos não processados; e, por último, mas não menos importante, atente-se à cadeia de produção e destinação de resíduos, valorizando os profissionais que dão o direcionamento correto ao que descartamos.

 

A Coopamare

O grupo de catadores começou realizando discussões no Centro Comunitário dos Sofredores de Rua, no bairro do Glicério. Em 1986, constituíram a Associação de Catadores de Papel. Apenas em 1989 que a prefeitura cedeu a eles o espaço sob o viaduto Paulo VI, em Pinheiros, e então formaram a Cooperativa. Nesse mesmo ano foi promulgado o decreto municipal que reconhece o trabalho do catador como atividade profissional e garante o direito ao trabalho.

 

* Victoria Risso é estudante de Gestão Ambiental da USP e estagiária da Aliança Resíduo Zero Brasil

 

Cooperativa de catadores é exemplo em Economia Solidária

Economia solidária é um conceito baseado na organização da vida social e econômica a partir da autogestão. Mulheres são a vanguarda dessa prática que dá espaço, principalmente, aos mais excluídos do capitalismo. A essência dessa economia é a democracia, na qual prevalece a produção e a renda coletiva.

A União Europeia coordenou um pesquisa de mapeamento de boas práticas relacionadas a economia solidária ao longo de todo o mundo. Essa pesquisa apresentou como um exemplo brasileiro a Coopamare, uma das cooperativa pioneiras de catadores de materiais recicláveis no país. A coordenadora da área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, Elisabeth Grimberg, participou do vídeo para explicar como funciona a economia solidária dentro das cooperativas e a integração delas com outros serviços de manejo dos resíduos sólidos.

Confira o vídeo Boas Práticas em Economia Solidária – Coopamare:

Ficha técnica
Coordenação internacional: Sabine Klapf e Martin Haselwanter
Coordenadores de pesquisa no Brasil: Bernhard Leubolt e Wagner Romão
Direção e edição: Florence Rodrigues
Fotografia: Gabriel Rodrigues e Fabio Ranzani
Som Direto: Luis Rovai
Entrevistados: Eduardo Ferreira de Paula, Maria Dulcineia Silva Santos, Maria Elisabeth Grimberg, Paul Singer

Produção do vídeo: Florence Rodrigues

Fonte: Instituto Polis

ExpoCatadores 2015

Expo-catadores-2015

 

A sexta edição da Expocatadores, aconteceu no Centro de Exposições Anhembi (SP), entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, reuniu aproximadamente quatro mil catadores e catadoras brasileiros e de outras nações.

Sendo o maior evento sócio ambiental do Brasil, com a presença de catadores de todo o país e América Latina, no Centro de Convenções Anhembi, este teve sua abertura marcada pela entrega do III Prêmio Cidade Pró-Catador – iniciativa da Fundação Banco do Brasil em parceria com a Secretaria de Governo (SG), que reconhece boas práticas de prefeituras ou consórcios municipais para a inclusão social de catadores de materiais recicláveis na gestão dos resíduos sólidos.

Cachoeira de Minas (MG), Santa Terezinha (PR), Campo Largo (PR) e Canoas (RS) são os quatro municípios vencedores da terceira edição do Prêmio Cidade Pró-Catador. Os prêmios de até R$ 120 mil foram entregues nesta segunda-feira aos respectivos gestores.

Dentre os participantes da solenidade de abertura, estiveram presentes o Ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto;Secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, Simão Pedro Chiovetti, Secretária Nacional de Articulação Social – Presidência da República, Érika Borges; Roberto Laureano – ANCAT/MNCR; Deputado Arnaldo Jardim – Relator da PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos; Victor Bicca – Presidente do CEMPRE,Ex-Senador Eduardo Suplicy epresidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek.

No dia em que finalizou a sexta edição da Expocatadores, cerca de 1200 catadores e catadoras de todo o Brasil e de outros países latino-americanos participaram da Marcha Nacional, no Centro de São Paulo. Segundo Alex Cardoso, da equipe de articulação do MNCR, a manifestação teve o objetivo de chamar atenção do poder público e da sociedade para a importância do trabalho dos catadores para o meio ambiente, por isso esse trabalho precisa ser valorizado e colocado como prioridade. “Nossas cooperativas precisam ser contratadas e pagas por esse trabalho de coleta que fazemos hoje gratuitamente”, afirmou

Os temas da marcha foram a contratação e pagamento por serviços prestados pelos Catadores de Materiais Recicláveis, os direitos garantidos na lei 11.445/2007 (Lei Federal do Saneamento Básico); infraestrutura e desenvolvimento tecnológico das cooperativas e associações de catadoras e catadores; fechamento dos lixões e punições as prefeituras que ainda não tiveram ações pra fechar seus lixões com inclusão total dos catadores; a Reciclagem Popular e a Gestão de Resíduos – Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular – PRONAREP; e aprovação da PEC 309 – aposentadoria especial.

O último dia do evento foi marcado pela assinatura do contrato de prestação de serviços de coleta seletiva, entre o prefeito de Itapira (SP), José Natalino Paganini e a Associação dos Coletores de Resíduos Sólidos de Itapira – ASCORSI. De acordo com ele, há quatro anos o município avança no compromisso da lei de Resíduos Sólidos. “Começamos a partir de uma situação precária, mas hoje contamos com um barracão de 1300 metros quadrados. Nosso objetivo é avançar ainda mais com esta causa justa e nobre”, afirmou.

Conheça mais sobre as iniciativas do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis

 

Modificado de: http://www.mncr.org.br/noticias/noticias-regionais/expo-catadores-2015-chega-ao-fim

http://www.mncr.org.br/noticias/noticias-regionais/expocatadores-inicia-em-sao-paulo-com-a-entrega-do-iii-premio-cidade-pro-catador