Jovens têm Encontro com a Sustentabilidade Planetária e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

IMG_4785Organizado pelo Programa Jovem Monitor/a Cultural em parceria com a Aliança Resíduo Zero Brasil ocorreu no último dia 22 mais um encontro de formação de 130 jovens com o tema sustentabilidade planetária, águas, consumismo e os impactos na vida contemporânea.

Durante o período da manhã os jovens participaram da apresentação do panorama geral sobre sustentabilidade e a relação com a geração de resíduos sólidos, apresentado por Nina Orlow e Clauber Leite, representantes de Aliança Resíduo Zero Brasil.

Nina Orlow apresentou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), falou sobre a capacidade dos seres humanos de gerenciar os recursos naturais do nosso planeta, da desigualdade na distribuição deles, do consumo e descarte dos produtos gerados. Destacou a prioridade número um em relação aos resíduos, o não gerar, pontuando a mudança de comportamento e de cultura do consumo para se atingir esta meta. Clauber Leite apresentou cada um dos 17 ODS e focou no Objetivo 12 (Consumo e Produção Responsável), relacionando o desperdício de alimento, uso eficiente dos recursos naturais e manejo adequado dos resíduos químicos. No debate, Elisabeth Grimberg respondeu a questionamentos feitos pelos jovens sobre o padrão perdulário de produção, colocando o desafio da ARZB em formular propostas para a elaboração de uma Política Nacional de Produção Durável.

Caio Ferraz, diretor da websérie “Volume Vivo”, apresentou o capítulo “Água de dentro”, que “expõe as possíveis consequências de uma gestão de recursos hídricos que tem como lógica buscar água cada vez mais longe, ao mesmo tempo que negligencia as fontes de água próximas”. Para Ferraz, meio ambiente e cultura não podem ser separados, pois tudo é produção cultural, assim como o consumo. Durante o debate, foram levantados assuntos como o consumo excessivo de água pelas indústrias, a água e a natureza como um produto, a situação atual das obras para abastecimento de água da capital paulista e as garantias de acesso à água potável e ao tratamento de esgoto.

Jovens no Pátio de Compostagem da Lapa
Jovens no Pátio de Compostagem da Lapa

Foram feitas visitas técnicas a dois espaços de processamento de resíduos sólidos domiciliares: um grupo de jovens

visitou o Pátio de Compostagem da Lapa e aprenderam sobre a compostagem com leiras e com minhocas, recebendo amostras do composto gerado no Pátio. Foi montada uma composteira para o aprendizado concreto neste local. Outro grupo foi conhecer a Cooperativa CooperVivaBem, onde tiveram a oportunidade de entender a estrutura do trabalho e os processos de classificação e pre-beneficiamento dos materiais processados, assim como as condições e organização do trabalho dos cooperados. Os jovens foram acompanhados por representantes da Aliança Resíduo Zero Brasil e da equipe do Programa Jovem Monitor Cultural.

Residência Resíduo Zero teve mostra de resultado em junho

No mês de junho a Sociedade Resíduo Zero, polo da Aliança Resíduo Zero Brasil em Goiânia, realizou seu primeiro seminário Resíduo Zero sobre o Projeto Residência Resíduo Zero. O evento aconteceu no auditório da FIEG, que teve como abertura a apresentação da Orquestra Sinfonia do Cerrado, regida pelo maestro Levi Teixeira.

Neste dia, estiveram presentes palestrantes nacionais e internacionais, e da Embaixada dos EUA no Brasil, que IMG-20160616-WA0025apresentaram conteúdos relevantes à temática Resíduo Zero. Entre os presentes estavam Clauber Leite e Nina Orlow, co-promotores de ARZB.

O seminário teve como objetivo mostrar os resultados do Projeto Residência Resíduo Zero, que conseguiu atingir a meta geral de 50% de redução de resíduos, desde a compra até o destino final, dos recicláveis para a coleta seletiva de Goiânia e cooperativas de catadores, e a compostagem de orgânicos feita nas próprias residências.

O idealizador e coordenador da iniciativa, o Eng. Diógenes Aires de Melo, destacou que a Aliança Resíduo Zero Brasil foi influente em sua trajetória neste projeto. E, segundo Clauber Leite, o ponto positivo deste Projeto foi a capacitação, não apenas das famílias que receberam as composteiras, mas de toda a equipe envolvida.

O evento contou também com “Feira e Exposição com a temática Resíduo Zero de parceiros do Projeto, e premiação das melhores residências e voluntários.

O fechamento do evento se deu com a apresentação do vídeo que compilou e apresentou os resultados do projeto e com a apresentação de depoimentos dos participantes expondo suas experiências sobre o Projeto Residência Resíduo Zero.

Para conhecer mais sobre o Projeto acesse http://www.residenciaresiduozero.com.br/.

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Notícia relacionada:

Polo da ARZB em Goiania lança Projeto Resíduo Zero

Misturar lixo orgânico e reciclável é crime no Canadá

Por muitos anos, a prefeitura de Vancôver tem recomendado o descarte do material orgânico no green bin (lixo verde, em português), mas agora a coisa é para valer. Desde o começo de 2015 é lei: os moradores não podem mais misturar lixo orgânico com recicláveis. Depois de seis meses de “aviso”, quem não seguir a regra será punido.em-vancover-misturar-residuos-organicos-com-reciclaveis-sera-crime

A medida foi tomada pela prefeitura, junto com a ONG Metro Vancouver. Segundo Greg Moore, diretor da organização, todos serão impactados pela nova medida. “Nós precisamos pensar diferente. Precisamos pensar sobre como separamos nossos resíduos orgânicos, recicláveis e nosso desperdício sólido”, explica.

Atualmente, cerca de 60% do lixo da cidade é reciclado. A meta é que até o fim deste ano o número suba para 70% e até 2020 para 80%. O resíduo orgânico da cidade será coletado e encaminhado para compostagem industrial e tudo será transformado em biocombustível eadubo, ajudando no cultivo de hortas.

Além de reduzir a dependência dos lixões, diminui a emissão de gases de efeito estufa e ajuda a combater o desperdício. Ao separar o lixo, as pessoas passam a reparar na quantidade de comida que está sendo jogada fora e, quem sabe, repensam seus hábitos.

Assista ao vídeo da ONG clicando aqui.

Fonte: The Greenest Post

Polo da ARZB em Goiânia lança projeto Resíduo Zero

Sociedade Resíduo Zero, com apoio da Embaixada dos EUA, lança Projeto Residência Resíduo Zero com foco na compostagem doméstica.

Lançamento do Projeto Residência Resíduo Zero Goiânia juntamente com a equipe gestora, autoridades e convidados.
Lançamento do Projeto Residência Resíduo Zero Goiânia juntamente com a equipe gestora, autoridades e convidados.

Foi lançado no dia 1º de março de 2016 , em Goiás, o Projeto Residência Resíduo Zero, uma iniciativa da Sociedade Resíduo Zero Goiânia (Polo da ARZB), com o apoio da Embaixada dos EUA e Total Educação e Cultura.

Segundo o idealizador e coordenador da iniciativa, o Eng. Diógenes Aires de Melo, o Residência Resíduo Zero é um projeto que visa estimular as práticas resíduo zero em moradias familiares. Essas práticas envolvem a coleta seletiva, a logística reversa, a compostagem e a disposição final ambientalmente adequada de rejeitos que estão sendo aplicadas em uma experiência piloto em 100 casas na cidade de Goiânia.

A ideia é fazer compostagem com os alimentos descartados diariamente nas residências dos participantes do projeto, de maneira a produzir um adubo orgânico que possa ser usado pelas famílias para o cultivo de alimentos na própria em casa ou vendidos no mercado.

A idealização surgiu após o projeto ser premiado dentre 800 projetos mundiais, pelo Departamento de Estados dos EUA, a partir do Alumni Exchange Innovation Fund. É um projeto estratégico para o município, segundo a coordenação.

A ação estará integrada com o Programa Goiânia Coleta Seletiva. Foram quase 1.000 inscrições recebidas para as 100 vagas disponíveis no projeto, que pretende contribuir para a redução na produção de resíduos em Goiânia.

Para os resíduos orgânicos, a Sociedade Resíduo Zero forneceu, no dia 19 de março, um kit de compostagem, visando aplicar a técnica, que consiste em transformar este tipo de material em outros produtos, principalmente adubo, que poderá ser utilizado pela própria família ou disponibilizado para o cultivo de produtos orgânicos. Além disso, os selecionados participarão de workshops de práticas sustentáveis, oficinas de coleta de adubo e de plantio orgânico,assim como monitoramento ambiental, por meio de agentes ambientais que atuarão porta-a-porta.

A fase piloto do projeto lançando em março de 2016 tem conclusão prevista para junho do mesmo ano, com o intuito de estimular a prática e entender a viabilidade e os benefícios do tratamento descentralizado de resíduos orgânicos domiciliares por meio da vermicompostagem (com minhocas) doméstica.

A previsão é que se envolva entorno de 3.000 pessoas e mais de 30 instituições dos setores público, privado e organizações da sociedade civil, da imprensa e entidades ligadas à educação

Fonte: http://www.residenciaresiduozero.com.br/

 

 

 

 

Aeroporto de Londrina realiza tratamento de resíduos sólidos orgânicos

Alinhado com os conceitos de conscientização ambiental, o Aeroporto de Londrina/Governador José Richa (PR) tem realizado com sucesso o tratamento de resíduos sólidos orgânicos gerados no aeroporto. Os trabalhos ocorrem em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)/Campus Londrina.

O tratamento e gerenciamento de resíduos sólidos gerados no terminal tem como objetivo a separação dos resíduos gerados, a conscientização ambiental e a redução da destinação de resíduos incorretos para centrais de tratamentos.Minhocario-SBLO-2

A técnica utilizada é a compostagem, que permite a decomposição e estabilização biológica da matéria orgânica que é transformada em adubo. O material é então utilizado na jardinagem e paisagismo em toda a área do aeroporto.

A equipe da Infraero também utiliza outro processo para o tratamento dos resíduos orgânicos, a vermicompostagem. A técnica utiliza minhocas para digerir a matéria orgânica, acelerando sua degradação. O processo da vermicompostagem é rápido e eficiente quanto à humificação de compostos orgânicos, devido ao procedimento de digestão da minhoca, resultando em um produto com alto grau de degradação e estabilização.

O coordenador de Manutenção do Aeroporto de Londrina, Fredie Bianchi, ressalta que o tratamento dos resíduos orgânicos no aeroporto é apenas um dos alicerces do gerenciamento dos resíduos no aeroporto. “Esse trabalho só é possível devido à conscientização e educação sobre a separação dos resíduos sólidos no aeroporto”, afirmou. Bianchi destaca ainda que os resíduos recicláveis são direcionados para cooperativas.

Fonte: Infraero Aeroportos

Maringá instala central de compostagem para fertilizar hortas comunitárias

Fonte: Prefeitura de Maringá
Fonte: Prefeitura de Maringá

A utilização da compostagem poderá ser feita em até seis meses.

Plantar é ótimo e necessário, mas é preciso também cuidar para que elas se desenvolvam. Um exemplo pode ser visto no município de Maringá, no Paraná, que inaugurou uma Central de Compostagem para produzir adubo orgânico para hortas comunitárias e para o Viveiro Municipal.

O composto utilizará resíduos orgânicos industriais como bagaço de cana, esterco bovino, pó de filtro de algodão, cinza de caldeira, lodo e terra de filtração. A partir da doação dos resíduos, a utilização da compostagem poderá ser feita em até seis meses e a produção estimada é de 400 toneladas de adubo nesse período.

Fonte: Prefeitura de Maringá
Fonte: Prefeitura de Maringá

“O composto produzido aqui na Central vai melhorar a produção das hortas e a qualidade das verduras, o que possibilita os produtores a oportunidade de gerar uma nova renda. Sempre foi o meu desejo oferecer esse insumo para as 27 hortas”, diz José Oliveira Albuquerque, coordenador das Hortas Comunitárias.

Fonte: CicloVivo

 

São Paulo lança Projeto Piloto de Pátio de Compostagem

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No dia 15 de dezembro, terça-feira, foi o lançamento do Pátio-piloto Descentralizado de Compostagem do Programa Feiras e Jardins Sustentáveis. O pátio está localizado no bairro na Lapa, na cidade de São Paulo, na Avenida José Maria de Faria, 487.

Patrícia Blauth, da Menos Lixo, e Clauber Leite, representante do Instituto Pólis, ambos representando a Aliança Resíduo Zero Brasil, compareceram ao evento para prestigiar este avanço na gestão de resíduos sólidos na cidade.

O Pátio está previsto no Programa de Metas 2013-2016:

“Meta 92: Promover a compostagem dos resíduos sólidos orgânicos provenientes das 900 Feiras Livres Municipais e dos serviços de poda da cidade.”

A ação também está prevista no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da cidade de São Paulo na parte de manejo de resíduos orgânicos.

A iniciativa é uma realização da Secretaria de Serviços, por meio da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), em parceria com a Subprefeitura da Lapa e a empresa Inova, responsável pelos serviços de limpeza nas regiões norte, oeste e central do município. Localizado em uma área de três mil metros quadrados na Subprefeitura da Lapa, o pátio piloto vem recebendo, desde setembro, cerca de 35 toneladas semanais de resíduos orgânicos, coletados em 26 feiras da região.

Confira a matéria sobre o evento no SPTV

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Fonte: Prefeitura de São Paulo

ALIANÇA RESÍDUO ZERO BRASIL REALIZA VISITA TÉCNICA AO CEAGESP

Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) do CEAGESP. Fonte: Revista Exame
Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) do CEAGESP. Fonte: Revista Exame

Neste mês de setembro Elisabeth Grimberg e Clauber Leite, copromotores da ARZB, estiveram no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) do CEAGESP na capital paulista para conhecer os planos de compostagem do maior entreposto de alimentos da América Latina.

Angelo Bolzan, Coordenador de Desenvolvimento Sustentável e Ubiratan Martins Ferraz, também da Coordenadoria de Sustentabilidade, receberam os representantes da ARZB. Após conhecer os objetivos e trabalhos da Aliança eles apresentaram que o ETSP e os demais 12 entrepostos do Estado estão estudando soluções para seus resíduos orgânicos no processo de armazenamento e transporte do campo à mesa.

Essas soluções levam em conta tanto a sustentabilidade ambiental como econômica, estando entre elas a biodigestão para a produção de adubo orgânico.

O ETSP possui uma área de 700 mil m² e produz em torno de 150 toneladas de resíduos ao dia. Nele são comercializados produtos vindo de 1.500 municípios de 22 estados brasileiros e também de 19 países. Os compradores são principalmente feirantes, supermercados, peixarias, restaurantes e sacolões.

Desde 2003 o Banco GEAGESP de Alimentos (BCA) coleta, seleciona e distribui alimentos oferecidos por produtores e comerciantes atacadistas (permissionários) para entidades sociais do Estado de São Paulo, estando presente na capital e nos entrepostos de Araçatuba, Araraquara, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba. Desde então são distribuídas aproximadamente 167 toneladas de alimentos por mês para mais de 160 instituições só na capital paulista.

A Aliança Resíduo Zero Brasil acompanhará as ações do CEAGESP em busca de soluções sustentáveis para os seus resíduos.

A compostagem domiciliar como instrumento de política pública em São Paulo

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Dan Moche SchneiderCláudio Spínola e Guilherme Turri

“Utopía […] ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. Para qué sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar”

Eduardo Galeano

A compostagem domiciliar passou a ser objeto de política pública de São Paulo a partir do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da cidade de São Paulo – PGIRS[1], publicado em 2014.  Nesse mesmo ano foram distribuídas composteiras a dois mil domicílios. Os primeiros resultados são surpreendentes!

ANTECEDENTES

Em 2013, três anos depois da publicação da Política Nacional de Resíduos sólidos quase que todos resíduos sólidos coletados pela prefeitura eram destinados aos dois aterros sanitários existentes. Mas nem sempre os aterros foram a principal destinação dos resíduos em São Paulo.

Nas primeiras décadas do século XIX a cidade possuía apenas algumas poucas dezenas de ruas e uma população de mais de vinte mil habitantes, mais de um quarto de escravos.  O lixo neste período era sobretudo orgânico e um assunto que se tratava em casa, enterrado nos quintais, destinado à alimentação de animais ou como adubo de hortas.

Mas nessa mesma época, para manter a limpeza das poucas ruas e becos existentes, o poder público já determinava destinações alternativas para o lixo: “nos fundos das casas do tenente coronel Antônio Maria Quartim” e outros seis locais pré- determinados.

Durante o século XX a cidade e o lixo cresceram aceleradamente e as destinações se diversificaram.  Neste período o lixo de São Paulo foi destinado a lixões, incineradores, centrais de compostagem e aterros sanitários; mas em 2004, todas as destinações haviam minguado à exceção de dois aterros sanitários existentes, um deles situado fora do município.

Esse era ainda o cenário vigente em 2013 quando a cidade, em atendimento a determinação da PNRS planejou a gestão de resíduos sólidos para os próximos vinte anos e estabeleceu programas, projetos e ações para a recuperação de resíduos compostáveis e recicláveis, por meio do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PGIRS.

Centenas de delegados eleitos por milhares de paulistanos e apoiados por especialistas e técnicos da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB decidiram, durante meses e dezenas de reuniões, os principais aspectos do que fazer com os diferentes resíduos gerados em São Paulo.

58 eventos que envolveram mais de 7 mil pessoas e organizações sociais diversas culminaram pela aprovação de diretrizes e estratégias do PGIRS, um plano com contribuições diversificadas, muito debatido, complexo e, sobretudo, socialmente compromissado.

Um dos programas propostos pelos delegados foi a compostagem domiciliar fomentada pelo poder público. As análises demonstraram que os custos da cessão de composteiras – sua implantação, monitoramento e assistência técnica – podem ser cobertos em uma gestão governamental, pela economia obtida com a redução da coleta, transporte e disposição final de resíduos orgânicos.

RESULTADOS INICIAIS[2]

A compostagem in situ começou a ser incentivada pela administração pública de São Paulo logo após a publicação do PGIRS, em junho de 2014, por meio da cessão de composteiras a domicílios unifamiliares[3]. Em seis meses foram recuperados 250 toneladas de resíduos orgânicos.

O projeto denominado Composta São Paulo[4] entregou kits de compostagem doméstica com minhocas para 2.006 domicílios da cidade de São Paulo. Os kits contemplaram uma composteira de 3 caixas plásticas, 2 para o processo de compostagem e uma para a coleta do líquido produzido durante o processo, acessórios e manual impresso.

O projeto Composta São Paulo fez um chamamento público para a adesão de interessados e em aproximadamente 40 dias o projeto teve 10.061 inscrições de regiões e classes sociais diversas do município de São Paulo; até mesmo se inscreveram mais de mil interessados de outros municípios brasileiros!  Foram selecionados 2006 domicílios. A entrega das composteiras foi acompanhada de 135 oficinas de capacitação para mais de 5.000 participantes.

Após 2 meses de uso das composteiras, os participantes do projeto foram convidados para 88 oficinas de Plantio onde receberam dicas e técnicas de plantio em pequenos espaços para utilização do composto produzido pelas composteiras. E criou-se uma comunidade virtual no Facebook[5]. A formação dessa comunidade de “composteiros” encerrou o primeiro ano de projeto com mais de 6.000 membros.

Os resultados do monitoramento do projeto mostram que 89% diminuíram notavelmente a entrega de resíduos para a coleta. Quase todos os participantes enfrentaram alguma dificuldade com o manejo da composteira ao longo do processo, mas isso não se configurou como barreira, tendo em vista o nível de satisfação com a prática de compostagem e com a desistência de apenas 47 domicílios (2,3%).

97% dos participantes que responderam à pesquisa (1535 pessoas), se consideram satisfeitos ou muito satisfeitos com a técnica, 98% acreditam que é uma boa solução para o tratamento de resíduos orgânicos e 86% afirmam ser fácil praticar. 85% acreditam que ter acesso a experiência de outras pessoas por meio do grupo exerceu influência positiva na motivação em compostar e mudanças de hábitos.

29% ajudaram outras pessoas não contempladas pelo projeto a produzir, instalar ou manusear uma composteira. Os participantes que responderam aos questionários (1.535 pessoas) atraíram 2.525 novos participantes, que trataram de montar ou comprar o seu próprio sistema de compostagem.

27% dos participantes doaram minhocas para que outras pessoas pudessem iniciar a pratica. 84% afirmam ter ampliado muito ou razoavelmente seus conhecimentos sobre sustentabilidade urbana; 96% se consideram muito ou razoavelmente mais esforçados em lidar corretamente com os resíduos que produzem; 54% afirmam que passaram a comer muito ou razoavelmente mais frutas e legumes.

A estratégia de comunicação foi essencial para os ótimos resultados iniciais.

Nossa espécie é curiosa, observa Naomi Klein[6] em um livro magistral sobre as mudanças climáticas: “Confrontada a uma crise que ameaça nossa sobrevivência como espécie, toda nossa cultura continua fazendo justamente aquilo que provocou a crise, inclusive colocando um pouco mais de empenho(…)”.

Mas na crise, além de ameaças há oportunidades: “Há formas de evitar esse futuro desalentador ou, pelo menos, de fazê-lo menos ameaçador. O problema é que todas elas implicam também em mudar tudo (…) a boa notícia é que muitas dessas mudanças não tem nada de catastróficas. Muito pelo contrário: boa parte delas são simplesmente emocionantes.”

Na gestão de resíduos sólidos, continuar fazendo justamente aquilo que provocou a crise é continuar a priorizar a gestão “end of pipe”: o desperdício de materiais compostáveis ou recicláveis em aterros sanitários, lixões ou incineradores e cimenteiras.

Quando se olha para a origem, até mesmo o sistema arrecadador pode se tornar mais inteligente e justo: aqueles que recuperam seus resíduos e os desviam dos aterros devem pagar menos do que daqueles que geram mais resíduos, emissões e despesas públicas.

É emocionante observarr a transição da gestão “end of pipe” para a origem, conforme determina a PNRS. As vantagens são muitas e conhecidas: aumento na vida útil de aterros sanitários, redução de GEE; diminuição do número de viagens na cidade; recuperação de matéria orgânica e nutrientes para o solo e plantas; captura do carbono da atmosfera e como material filtrante de GEE de aterros sanitários.

Não é só emocionante, mas surpreende quando nos damos conta dos inesperados benefícios pessoais e coletivos decorrentes da pratica da compostagem in situ, apresentados nos Depoimentos Selecionados[7], realizada pelos empoderados e criativos “mestres composteiros”.

A compostagem in situ é um instrumento de política pública empoderador, forjador de compromissos coletivos, com um extraordinário efeito multiplicador que promove e alenta a cidadania.

Depoimentos Selecionados

  • “Minha relação com insetos e outros bichinhos ficou menos tensa.”
  • “Acho que agora, andar na rua, com uma atitude de maior atenção as pessoas, bichos, plantas e movimentos, atitudes, tem outro entusiasmo! Acho que me tornei mais comunicativa! A consciência social aflorou como uma grande descoberta e surpresa por perceber que não é tão complicado assim melhorar ou ajudar o meio em que vivemos.”
  • “Fico muito atenta ao meu lixo orgânico, e ao lixo dos vizinhos (alguns vizinhos compartilham lixo orgânico comigo). Fiquei mais crítica com a quantidade de comida a comprar. Afeição as minhocas.”
  • “A prática da compostagem me levou de volta a uma paixão pela terra e pelo plantio. Passei a catar caixotes de feira na rua, vasos de plástico e outros recipientes recicláveis, recupera-los e plantar jardineiras para presentear amigos. Tenho plantado canteiras de suculentas, que ficam lindas, e em algumas, já consegui utilizar o próprio composto produzido pelas minhas bravas minhocas!”
  •  “Me sinto conectada novamente. Como se o longo de uma vida inteira não fizesse parte. Tem sido como uma reconexão. Simplesmente por trazer a atenção para o assunto (natureza, interação) com mais frequência. Alimentar as minhocas, retirar o chorume, regar as plantas, entre outras atividades prazerosas que envolvem a compostagem, são como uma Meditação Ativa, Mindfulness, reconexão, um explorar da minha bagunça interna e do silêncio do Todo.”
  • “Cuidar da compostagem se tornou um compromisso porém com o prazer de um hobby! Gosto de fazer isto e me sinto útil e contente por contribuir de alguma forma para a sustentabilidade, mostrando também para outros que não é tão difícil assim mudar de atitude.”
  • “Acredito que um dos pontos mais positivos da compostagem foi o envolvimento da minha irmã mais nova ao longo de todo o processo. Para uma criança, acredito que seja de extrema importância esse tipo de informação e cultura para que se tornem cidadãos plenos e seres humanos de fato HUMANOS.”
  •  “Como passei a plantar e, portanto, mexer mais na terra, uso isso como forma de relaxar, desestressar. Parece que descarrego todas as energias ruins no contato com a terra.”
  •  “Em nossa casa, a reciclagem sempre foi uma realidade mas com a compostagem orgânica, vivenciamos um envolvimento familiar muito interessante: a hora de recolher os resíduos e colocar nas plantas, o cuidado com as minhoquinhas, a atenção com o recolhimento e separação dos resíduos virou um “programa” familiar. Até nossa funcionária gosta do projeto.”
  •  “Não imaginava a fonte de prazer que seria observar diariamente esses processos de decomposição, germinação, equilíbrio natural.”
  •  “Tenho menos “nojo” de vermes e outros animais rastejantes. Também colônias de animais não me assustam tanto, depois de ver a colônia de ácaros que haviam na minha composteira. Lido melhor quando encontro alguma comida que está apodrecendo em casa (ante eu ficava com nojo, quase horrorizada, hoje em dia fico interessada em ver como ela se decompõe).”
  •  “As plantas sempre me trouxeram uma sensação de paz e tranquilidade. Com a compostagem eu passei a cuidar melhor de minhas plantas e a me sentir feliz com isto. É interessante ver que tudo é reutilizável e que cada coisa tem sua função neste planeta, as folhas mortas, os restos de vegetais, as minhocas e que tudo se encaixa de uma maneira fantástica no universo.”
  • “Me inscrevi no Treinamento de Lideranças Climáticas ministrado pelo Al Gore no RJ e fui aceita, me inscrevi numa oficina de Bioconstrução na Casa Fora do Eixo e passei 2 meses em uma fazenda orgânica em Saquarema – RJ. Estou apaixonada pelo Planeta!”
  • “Me envolvi em uma ong, na qual faço parte hoje, que faz palestras de educação ambiental em praças/espaços públicos.”
  • “Dei curso de compostagem na escola do meu filho e no condomínio onde moro. Já “Estou tentando convencer o pessoal de uma igreja aqui da região, que eles podem usar o terreno que está inutilizado por eles, e cultivar alimentos orgânicos e praticar compostagem e captar água da chuva sem muito custo adicional.”
  • “Desenvolvi uma oficina de minhocário de baixo custo (com baldes de margarina) no bairro onde moro. No momento estou implementando esses minhocários numa comunidade cultural do bairro.”
  •  “Vendi meu carro e só ando de bike.”
  •  “Dei uma oficina sobre compostagem doméstica no meu condomínio. :)”
  • “Comecei a participar mais ativamente de alguns encontros, visitei algumas hortas e finalmente comecei a frequentar o Pic Nic de troca de sementes e mudas.”
  • “Fiz uma horta orgânica na escola pública do meu neto.”
  • “Identificação é a palavra. Num mundo individualista, digo sempre que o grupo dos composteiros é o meu favorito!”
  • “Trocar experiências, e pedir opiniões é fundamental quando o objetivo é evoluir num sentido comum. Saber que outros enfrentaram as mesmas dificuldades e lograram sucesso, incentiva na busca de melhores soluções e amplia o conhecimento e, quando este é retransmitido a outros, recicla a própria natureza humana.”
  • “Definitiva. Foi através da página do facebook que aprendi as lições mais importantes sobre como manter a composteira. Outra coisa legal da página foi me re-conectar com pessoas que eu já conhecia, ou seja, já eram meus contatos no facebook, mas eram pessoas distantes de meu convívio, e quando vimos que estávamos na mesma página e fazendo compostagem, nos reconectamos!”
  • “Cuido do meu pai que tem demência e não tenho muito tempo pra participar de cursos. Sem este grupo ficaria muito difícil para leigos como eu continuarem com a compostagem, além de serem muito dinâmicos dando dicas para acabar com as drosófilas e outros insetos. Tenho muitas dúvidas e sempre pergunto pra eles, tenho sempre resposta até hoje. Obrigada.”
  • “O que tem sido mais interessante é notar e satisfazer a curiosidade dos visitantes da casa com relação à compostagem com minhocas. Muitos amigos se inspiram ao perceber que o processo é simples. Não sei dizer se levarão a ideia a cabo, mas apenas de discutirem o assunto já sinto que algo mudou.”
  •  “Os amigos que não participam do projeto ficam curiosos em conhecer como a composteira funciona e pedem composto e biofertilizante.”
  • “O mais positivo ao meu ver é o caráter contagiante do projeto. Eu mesma estou mantendo a composteira no espaço comum do prédio onde moro e só na primeira semana 6 pessoas além de mim já viram e aprenderam sobre compostagem por causa do projeto. Imagine até o final do projeto, cada um dos 2000 participantes, irá multiplicar muito isso e por isso, ao meu ver, será permanente.”
  • “Envolvimento. Esta é a palavra que agrega tudo o que vivenciamos a partir do momento que iniciamos o projeto. Envolvimento meu e de meu marido que abraçamos a ideia. Envolvimento de minhas filhas que foram se apropriando e incorporando a seleção do que ia para um ou outro cesto (inclusive “importamos” umas minhocas para Botucatu, onde minha filha mora e seu namorado iniciou uma compostagem na república que moram). Envolvimento de nossos parentes e visitas que saem de casa com uma outra concepção do que é lixo e, claro, muitos nos pedem para vir ver a composteira doméstica. É a estrela daqui de casa! (rsrs) Estamos realmente envolvidos neste projeto e muito felizes em fazer parte de um momento histórico tão significativo em nossa cidade. Fazendo a diferença para que em um futuro próximo isso seja um hábito, mudança estrutural na cultura dos grandes centros urbanos do nosso país.”
  •  “É interessante ver que toda família se animou com a composteira e até amigos se interessaram. O lixo orgânico diminuiu muito e se tornou algo até como distração para minha mãe.”
  •  “A experiência de ter uma Composteira em casa é indescritível, ter a responsabilidade e comprometimento da redução do lixo disposto em lixões. E fora as aulas de compostagem para cada visitante de sua casa.”
  • “Meu presente de natal para os amigos foi um lindo vidro de chorume do bem com um laço de fita vermelho e verde! foi um sucesso!”
  • “Acho positivo que a prefeitura de uma capital, como SP, se posicione e incentive a população a cuidar de seus resíduos.”
  •  “O mais interessante é a experiência, o aprendizado. Foi graças a compostagem que aprendi o quanto realmente preciso comprar de comida pra minha família, pois passei a observar o que descartava.”
  • “O volume de resíduos que estou deixando de jogar no lixo é bastante considerável!”
  • “Primeiro, gostamos muito de saber que a prefeitura está engajada em reduzir os resíduos sólidos nas residências – nosso lixo realmente diminuiu 70% (a gente já reciclava), passando de 1 saco de 100l por semana que ia pro aterro, pra um saco de 100l a cada 3, 4 semanas. Além disso, o grupo no facebook tem se mostrado muito útil e acolhedor, muitas pessoas se ajudando!!!”
  •  “Mudança nos meus hábitos alimentares, estou começando a comer menos carne e mais vegetais e frutas.”
  •  “Talvez meio incongruente mas é verdade… o lado lúdico!!! O fato de ser divertido compostar… unir a preservação do meio ambiente e ao mesmo tempo ser divertido.”
  •  “O mais positivo é reduzir o resíduo orgânico! Eu reduzi meu lixo pela metade depois de fazer a compostagem caseira! =)”
  •  “Participar de um projeto coletivo. Unir é preciso. Aprender coletivamente é essencial.”
  •  “A diminuição de resíduos orgânicos em casa é incrível! Antes levávamos o lixo no mínimo 1 vez por dia e uma grande quantidade. Agora a lixeira além de permanecer limpa por só ir resíduos secos, só é esvaziada em média a cada 2 ou 3 dias.”
  • “Nunca antes eu havia conhecido ou ouvido falar sobre uma abordagem como esta desenvolvida para construir uma política pública, ou ainda um projeto como este para incentivar a compostagem doméstica em uma cidade grande como São Paulo, dada a complexidade para enfrentar este desafio. O projeto foi estruturado e desenvolvido de forma exemplar, sem nenhuma falha, e com muita dedicação de sua equipe. Em resposta a tal esforço eu vejo a forma como os participantes se identificaram com o projeto e fizeram dele parte de suas vidas, construindo também uma rede participativa de compostagem doméstica. Quando penso neste projeto penso em muito mais do que a transformação de resíduos domésticos, penso na transformação de vidas, de comunidades e de toda uma cidade.”
  •  “Primeiramente gostaria de parabenizar a iniciativa do projeto e a parceria. Achei a proposta muito corajosa ao incentivar a mudança de paradigma, o empoderamento de cada indivíduo, se todos fizermos um pouco singularmente com certeza faremos muito coletivamente. O projeto faz você perceber que a mudança é possível e começa dentro de casa!”
  • “Esse projeto é ótimo, conseguiu atingir e sensibilizar pessoas de diversas classes sociais, com diferentes níveis de formação escolar, desde profissionais com especialização, professores, pais de alunos de baixa renda em escola pública. Práticas como essa devem ser incentivadas, estimulada e divulgada, para que assim possamos transformar o ambiente em que vivemos em algo melhor. Se não tivesse ganhado essa composteira, dificilmente eu compraria uma, mas depois de ver o sistema funcionando me convenci da importância de pequenas ações e processos, e a importância da participação da Prefeitura de São Paulo, e a parceria com o projeto Composta São Paulo. Esse tipo de projeto me fez sentir parte de um projeto e ação maior, de ver o Estado próximo ao cidadão, não apenas para cobrar impostos, mas direcionando parte da verba da contribuição ao próprio cidadão e melhorando nossa cidade.”
  •  “Adorei a iniciativa do Projeto. Vai ser uma história e tanto para ser contada e vivenciada daqui alguns anos por todos (assim espero).”

 

  1. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA
  1. Limpeza urbana na Cidade de São Paulo: uma história para contar / [organização e texto Ariovaldo Caodaglio, Roney Cytrynowicz ; fotografia Henrique Luz]. — São Paulo: Via Impressa Edições de Arte, 2012.
  2. BRASIL. Lei n.º 12.305, de 02 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Diário Oficial República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 03 ago. 2010. Seção 1 p 3.
  3. PMSP. Prefeitura da Cidade de São Paulo. Secretaria de Serviços. Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Cidade de São Paulo. São Paulo: Abr, 2014. 456p. [Disponível emhttp://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/servicos/arquivos/PGIRS-2014.pdf)]
  4. INACIO CT; BETTIO DB; MOMSEN MILLER PR. O papel da compostagem de resíduos orgânicos urbanos na mitigação de emissões de Metano. Embrapa Solos. Rio de Janeiro, RJ, 2010

 

Dan Moche Schneider (danmoche@gmail.com). Engenheiro com mestrado em saúde ambiental é consultor de governos e organismos internacionais. Participou na elaboração do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de São Paulo, responsável pelos resíduos orgânicos. Atualmente vive no Peru onde faz seu próprio composto a partir de mais de 90% dos resíduos orgânicos produzidos em seu apartamento e experimenta os mesmo benefícios pessoais e coletivos observados em São Paulo.

Cláudio Spínola – Artista plástico pela Universidade de São Paulo, educador Ambiental e empreendedor Social, diretor executivo da Morada da Floresta. Ministra cursos e palestras relacionadas à sustentabilidade, desenvolve sistemas de compostagem para pequenos, médios e grandes geradores de resíduos orgânicos e consultoria em sustentabilidade. Idealizador e coordenador do projeto Composta São Paulo.

Guilherme Turri – paulista, 33 anos, formado em Comunicação Social pela ESPM. Trabalhou com pesquisas de comportamento e consumo desde 2004, atuando tanto na área de campo e como também de análise e planejamento estratégico. Em 2013, foi responsável pela coordenação estratégica, de comunicação e mobilização e pelas pesquisas do projeto Composta São Paulo.



[1] Disponível no sítio da Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo à qual está vinculada a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB emhttp://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/servicos/arquivos/PGIRS-2014.pdf

[2] Video sobre os resultados iniciais disponivel em https://vimeo.com/127681378

[3] O projeto Composta São Paulo é uma iniciativa da Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo, por meio da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB, realizado pelas concessionárias de limpeza urbana (LOGA e ECOURBIS), idealizado e operacionalizado por empresa referência em compostagem doméstica e empresarial (MORADA DA FLORESTA)

[5] https://www.facebook.com/groups/compostasaopaulo/

[6] Klein, N. Esto Lo Cambia  Todo: el capitalismo contra el clima. Paidós. Editorial Planeta Colombiana S.A. Primera Edición: abril de 2015 (Colombia).

[7]http://www.compostasaopaulo.eco.br/downloads/Depoimentos Selecionados.pdf

Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/dan-moche-schneider/a-compostagem-domiciliar-como-instrumento-de-politica-publica-em-sao-paulo

Municípios têm de usar os orgânicos em compostagem e biodigestão

Agrofloresta

 

A maior parte dos municípios brasileiros tem menos de 50 mil habitantes. Das 5.570 cidades, 3.915 estão nessa faixa. Os cinturões verdes, áreas ao redor dos centros urbanos formadas de pequenos sítios, chácaras, reservas, pomares são de grande importância para a manutenção da qualidade de vida dos cidadãos. Usar os resíduos orgânicos dessas cidades na agricultura ou na geração e energia ou combustível é a melhor solução.

Além de manterem o microclima regional, nos cinturões verdes são em geral cultivados frutas e hortaliças, para abastecer os mercados urbanos e evitar grandes viagens desses produtos de caminhão, o que significa economia de combustível, diminuição da poluição e melhor condição de consumo –produtos mais frescos na mesa do consumidor.

Pois esses mesmos municípios, os menores, são os que têm mais dificuldades para construir aterros sanitários e conseguir destinar corretamente seus resíduos. A falta de aterros adequados faz com que muitas prefeituras tenham de exportar lixo para outros municípios vizinhos, criando uma rota rodoviária completamente nefasta. Viagens e viagens de resíduos cruzando o país.

Em grande parte dos municípios litorâneos, o problema se agrava. Por causa da proximidade de mananciais, não é permitido fazer aterros.

Esses dois fatores –municípios pequenos com cinturões verdes e dificuldade de destinar adequadamente os resíduos– apontam para as soluções da compostagem e biodigestão de orgânicos. Essa é a opinião de Elisabeth Grimberg, coordenadora da área de resíduos sólidos do Instituto Pólis e uma das articuladoras da Aliança Resíduo Zero Brasil.

“É um absurdo que essas cidades enterrem os orgânicos que geram e deixem de usá-los de volta na terra, como adubo, ou como energia ou combustível, do biogás, todas essas aplicações que poderiam melhorar as economias locais. O perfil dos municípios brasileiros é este”, diz.

Para Elisabeth, a sociedade tem de pressionar os gestores para que haja a coleta em três frações tão logo quanto possível, a saber: recicláveis, orgânicos e não-recicláveis. Calcula-se que 60% dos resíduos domésticos seja de orgânicos. Com a separação e aproveitamento dessa parte, o volume de resíduos a encaminhar para os aterros diminui drasticamente. Os não-recicláveis, chamados de rejeitos, são os únicos que devem ser destinados aos aterros.

“Desde 2010 já se sabe que apenas os rejeitos devem ir para os aterros. Por isso, não adianta lutar só pelo fim dos lixões. Hoje, temos de focar no debate e na implantação da coleta separada de orgânicos e no seu aproveitamento”, diz.

Os orgânicos e os restos de podas de árvores podem ser usados localmente para alimentar a agricultura dos cinturões urbanos. Num mesmo local podem ser instalados usinas de biogás e área de compostagem. Elisabeth cita o exemplo do Consórcio Verde Brasil, na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul.

“Existem alternativas tecnológicas importantes e possíveis”, afirma.

Para tratar desse assunto e discutir sobre as possibilidades de mudança na atual Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) o Instituto Pólis faz um seminário no dia 28 de maio, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas pelo site polis.org.br.

Uma das palestrantes será Magdalena Donoso, coordenadora da Aliança Global para Alternativas à Incineração, GAIA, América Latina.

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2015/04/1620557-municipios-tem-de-usar-os-organicos-em-compostagem-e-biodigestao.shtml#