Incineração: um mal desnecessário

Especialistas debateram os impactos que a prática da incineração tem na sociedade

Com o tema “Resíduo Zero e Alternativas à Incineração”, aconteceu no dia 6 de outubro o 5º Encontro do Ciclo de Diálogos Resíduo Zero, com a presença de Elisabeth Grimberg, coordenadora de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis e co-promotora da ARZB, Paulo Alvarenga, defensor público do estado de São Paulo, Luciano Marcos, do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), Roberval Prates Reis, catador e membro do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Pedro Roberto Jacobi professor no Instituto de Energia e Meio Ambiente da USP, e Ricardo Pinto Filho, consultor e assessor técnico ambiental da Prefeitura de Barueri.

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Da esquerda para a direita: Ricardo Pinto Filho, Pedro Roberto Jacobi, Roberval Prates Reis e Luciano Marcos

A incineração é uma técnica que envolve a queima de resíduos, exigindo altas temperaturas e combustíveis como papéis, papelão, plásticos etc. e muitas vezes necessitando outros insumos para gerar combustão.  O processo converte estes materiais descartados em gases poluentes, cinzas, escória e lodo tóxicos. Como bem lembrou Elisabeth Grimberg, representando o posicionamento da ARZB, esta queima é bastante controversa e danosa, cujos produtos trazem impactos negativos à saúde e apresentam diversas substâncias tóxicas cancerígenas, biocumulativas e mutagênicas, acumulando-se no ar, na água e nos solos. Além disso, Elisabeth apontou experiências que são alternativas à incineração, como avanços no tratamento dos resíduos orgânicos pelo setor empresarial (Consórcio Verde – Montenegro/RS) e no setor público (Compostagem de Resíduos de Feiras).

Para Roberval, os incineradores marginalizam a categoria dos catadores, já que retiram sua função social. O catador questionou também a composição das forças que promove este tipo de “solução”, e destacou que infelizmente há interesses econômicos que não contemplam a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) ou mesmo o meio ambiente e as questões sociais.

Da esquerda para a direita: Roberval Prates Reis, Luciano Marcos, Paulo Alvarenga, Elisabeth Grimberg
Da esquerda para a direita: Roberval Prates Reis, Luciano Marcos, Paulo Alvarenga, Elisabeth Grimberg

Nesse sentido, o professor Pedro Jacobi defendeu que é possível cumprir a PNRS  sem recorrer à incineração, por meio da criação de consórcios na grande maioria dos municípios brasileiros,  com vistas ao planejamento, à regulação e à execução de atividades relacionadas ao descarte de resíduos.  Também deve-se colocar em prática a logística reversa, que é a responsabilidade estendida das empresas por aquilo que produzem e é descartado após o consumo, como por exemplo, as embalagens.

Outro ponto importante discutido foi o fechamento dos lixões e dos incineradores em funcionamento. Elisabeth destacou o histórico de lutas contra a incineração em São Paulo, que vai desde 1993, com o fechamento do incinerador do Ipiranga, passando pela criação da Coalizão Nacional Contra a Incineração de Lixo, articulada com a GAIA Internacional, e culmina na criação da Aliança Resíduo Zero Brasil, em 2014, promovida por diversas entidades. Como exemplo de conquista, no estado de Minas Gerais houve uma mobilização da sociedade civil para aprovar uma lei, já em vigor, que passou a proibir incineradores em todo o Estado, ressaltando-se o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania como está na lei, bem lembrou Luciano.

Já Barueri, informou Ricardo, fechou seu lixão em 2001, mas está em processo de instalação de um novo incinerador.

Além de atendermos aos princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos – adotando a hierarquia de não gerar, reduzir, reutilizar e reciclar resíduos –, não devemos destruir, muito menos utilizando um processo altamente poluente como a queima de materiais que poderiam ser devolvidos ao ciclo produtivo. Para se ter maior  sucesso no cumprimento da Lei, a coleta no municípios deve ser feita com os materiais já segregados em 3 tipos de resíduos, resultando na melhor qualidade do reaproveitamento dos materiais: a compostagem (sobras de alimentos, podas, etc), a reciclagem e a progressiva minimização do rejeito, encaminhado aos aterros sanitários.

Aliança Resíduo Zero quer coleta em três frações e faz campanha educativa

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‪#‎ResíduosSólidos‬ Educação ambiental e os desafios da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos são assunto na coluna de Mara Gama, na Folha de S.Paulo.
Com colaboração de membros da Aliança Resíduo Zero Brasil.

Leia a matéria na íntegra no site da Folha de São Paulo clicando aqui.

5ª mostra Ecofalante tem filme sobre resíduos

Aliança Resíduo Zero Brasil participa de uma mesa de diálogo na 5ª mostra Ecofalante de Cinema Ambiental que tem como objetivo divulgar e trazer à reflexão diversos vídeos socioambientais.

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Integrante da Aliança Resíduo Zero Brasil, Nina Orlow,  teve a oportunidade de divulgar a iniciativa ARZB ao participar da Mesa de Diálogo após a exibição do filme Trashed  – para onde vai o nosso lixo na Câmara Municipal de São Paulo a convite da Escola do Parlamento, no dia 14 de junho. Este encontro trata-se de uma iniciativa da 5ª mostra Ecofalante de Cinema Ambiental que tem como objetivo divulgar e trazer à reflexão diversos vídeos socioambientais.
No debate Fábio Pierdomenico, diretor executivo na Câmara, ressaltou a importância da coleta seletiva, e das cooperativas de catadores,  iniciada em grande escala em SP na sua gestão na AMLURB.
Nina Orlow destacou que o conceito e a estratégia “Resíduo Zero” colabora no cumprimento da Política Nacional de Resíduo Sólidos, PNRS, que estabeleceu a hierarquia no manejo dos resíduos, definindo em 1º lugar a prioridade da não geração de resíduos, também a importância da implantação da separação e destino correto dos resíduos recicláveis (com os catadores) compostáveis e o rejeito (que deve ser minimizado). Destacou ainda que é uma iniciativa que defende a economia circular, a não incineração, a produção de bens duráveis. Concluiu considerando a importância da criação de polos e núcleos em parcerias, como  GAIA – Global Alliance for Incineration Alternatives.
A Mostra ocorrerá até dia 29 de junho (quarta-feira), confira sua programação, participem e ajudem a divulgar: www.ecofalante.org.br/mostra/.

Cidade japonesa pretende ser a primeira do mundo a ter lixo zero

A cidade já recicla ou composta 80% do lixo produzido. Mas, em quatro anos a prática deve ser universalizada.

São 34 divisões para a separação do lixo e todos são obrigados a respeitá-las. | Foto: Reprodução/YouTube
São 34 divisões para a separação do lixo e todos são obrigados a respeitá-las. | Foto: Reprodução/YouTube

 

O município de Kamikatsu, em Tokushima, Japão, já é referência mundial em reciclagem. No entanto, os objetivos da cidade para os próximos anos são ainda mais ambiciosos: chegar a produção zero de resíduos.

Para alcançar este alvo, o passo mais importante é a conscientização. Cada um dos 1.700 habitantes é totalmente responsável pelo lixo que produz. Isso significa cuidar da higienização, separação e entrega dos materiais nos pontos de coleta.

Reciclar não é uma tarefa simples em Kamikatsu. Diferente do que acontece em algumas cidades brasileiras que dispõem de serviços de coleta seletiva, os moradores do município japonês não contam com caminhões que fazem a retirada porta a porta. Eles mesmos precisam levar seus resíduos até os postos de recebimento.

Outro cuidado que demanda muito mais trabalho está na hora da separação dos materiais. Enquanto um padrão mundial consiste em dividir os resíduos em: papel, plástico, alumínio, vidro e orgânicos, no Japão o sistema é muito mais complexo e detalhado, são 34 divisões para a separação do lixo e todos são obrigados a respeitá-las.

Atualmente os índices de reciclagem em Kamikatsu já são bem altos. A cidade já recicla ou composta 80% do lixo produzido. Os 20% restantes são destinados a lixões. Mas, em apenas quatro anos essa deverá ser uma prática extinta.

A primeira mudança aplicada na cidade foi a diminuição no montante incinerado. Os processos de reaproveitamento e reciclagem de resíduos permitiu que o município queimasse menos materiais e cortasse os custos com o processo em um terço. O segundo passo para chegar ao lixo zero é trabalhar o consumo consciente. Para isso, nas centrais de coleta, os moradores podem também doar materiais usados ou trocá-los por objetos feitos a partir de resíduos reaproveitados, como ursinhos de pelúcia, bolsas, agasalhos, entre outros, disponibilizados gratuitamente, como incentivo ao reúso.

Pode parecer um esforço grande, mas os moradores locais garantem que ao implementar as práticas na rotina, ela se torna algo simples e natural. Em um vídeo produzido pelo canal Seeker Stories, no Youtube, Hatsue Katayama, explica como é a experiência para ele. “Se você começa a fazer [a separação dos resíduos], se torna natural. Agora, eu não penso sobre isso. Já é natural pra mim separar o lixo adequadamente.”

Fonte: CicloVivo

A pegada do final do ano

Rio de Janeiro - A Comlurb, empresa responsável pela coleta de lixo no Rio, recolhe o lixo após a festa da virada do ano (Isabela Vieira/Agência Brasil)
Rio de Janeiro – A Comlurb, empresa responsável pela coleta de lixo no Rio, recolhe o lixo após a festa da virada do ano (Isabela Vieira/Agência Brasil)

Chegou um novo ano, mas com velhos costumes. Todos os anos depois da virada do ano vemos a notícia de praias e pontos turísticos das cidades com uma quantidade imensa de resíduos sólidos abandonados por seus donos, dando trabalho dobrado às companhias municipais de limpeza urbana após a festa de Réveillon.

Um exemplo disso foi a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, de onde foram coletados 694,2 toneladas de lixo em todos os pontos onde ocorreu a festa de Réveillon 2016.

Desde as 6 horas desta sexta-feira (1º), 3.358 garis (1.165 deles só em Copacabana) e 344 profissionais de limpeza trabalhavam na limpeza da cidade. Apesar dos 1.455 contêineres instalados, houve muito trabalho para o recolhimento de garrafas, embalagens e outros itens. Para o apoio, foram disponibilizados ainda 247 veículos e equipamentos como caminhões, pás mecânicas, caminhões-pipa, varredeiras, sopradores, entre outros.

Fonte: Diário do Poder

A Aliança Resíduo Zero Brasil trabalha para a não geração de resíduos e chama a todos para que participem deste movimento. Sejamos responsáveis o ano todo pelos resíduos que geramos, dêem a destinação correta, evitem gerar o desnecessário.

Adotar o conceito Resíduo Zero significa:

  • minimizar os impactos no solo, na água, no ar e nos ecossistemas, em geral, que podem ser nocivos ou ameaçar a saúde planetária – animal e vegetal – e provocar irreversíveis alterações climáticas
  • projetar e gerenciar produtos e processos para reduzir o volume e a toxicidade dos resíduos e materiais
  • conservar e recuperar recursos naturais
  • não queimar ou enterrar resíduos
  • incentivar o consumo de produtos e serviços com o conceito Resíduo Zero.