COP 21 – Confira a participação do Instituto Pólis e da ARZB

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Não geração de resíduos, alternativas à incineração e agroecologia foram alguns dos temas levados à Conferência

A 21ª Conferência das Partes das Nações reuniu ministros de 195 países para discutir um acordo que limitasse as emissões de carbono nos próximos anos. O Instituto Pólis, representando também a Aliança Resíduo Zero Brasil, esteve presente para levar contribuir nas construções de estratégias e ações globais voltados para resíduo zero.

A coordenadora de Resíduos Sólidos do Pólis e articuladora da ARZB, Elisabeth Grimberg, que esteve presente, comenta que o evento foi importante porque a sociedade civil internacional pressionou os governos para que se comprometessem com soluções e metas que garantam a estabilidade do clima no planeta.

Os representantes dos governos aprovaram o “Acordo de Paris”, primeiro marco global da luta contra o aquecimento global. O documento define que as nações serão obrigadas a estruturar estratégias para limitar o aumento médio da temperatura da Terra a 1,5ºC até 2100 e deverão revisar seus compromissos a cada 5 anos.

Países desenvolvidos como Estados Unidos e União Europeia deverão prover US$100 bilhões por ano para ajudar nos projetos de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas de países em desenvolvimento.

O desafio agora é garantir a implementação de políticas, planos e tecnologias que efetivem este acordo, e a sociedade civil internacional terá um papel chave neste processo.

Uma Aliança de organizações discute os desafios do manejo de resíduos sólidos

Durante a COP-21, do dia 30 de novembro a 4 de dezembro, a Aliança Global para Alternativas à Incineração – GAIA organizou o Encontro Global. O evento contou com a presença de 80 organizações-membro, representando 5 continentes e 33 países. Além de discutir perspectivas, desafios e estratégias de ação, o evento também comemorou os 15 anos de atuação da rede GAIA.

Nos primeiros três dias de encontro foram debatidos como impedir a implantação de incineradores de resíduos sólidos urbanos, assim como a queima destes pelas indústrias de cimento, que impacta na saúde humana, no meio ambiente e no clima. Outro tema que foi alvo das discussões foi como avançar em políticas públicas de resíduo zero – não geração de resíduos, reutilização, reciclagem, compostagem e biodigestão.

Foram propostas estratégias para resíduo zero nas cidades e sua articulação com campanhas contra a utilização de plásticos e embalagens descartáveis. Os participantes debateram como promover maior integração entre membros da GAIA em nível continental e global para o enriquecimento da luta contra os incineradores e pela construção de alternativas voltadas para resíduo zero.

No quarto dia, 3 de dezembro, a GAIA realizou a Conferência “Resíduo Zero: Uma Solução-chave para um Futuro de Baixo Carbono”, realizada na École Normale Supérieur, Paris. Grimberg participou do painel “Sociedade civil: uma parte-chave para uma efetiva mudança de paradigma” apresentando um panorama da atuação da Aliança Resíduo Zero Brasil no seu primeiro ano de existência.

No dia 4 de dezembro, a GAIA promoveu a Conferência “Compostagem e Saúde do Solo, Resíduo Zero e Agroecologia: soluções para mudança climática” que tratou da intersecção do resíduo zero e agroecologia por ser uma área fértil para soluções de bases comunitárias para mudança climática, ambos para adaptação e mitigação, especialmente quando se fala em resíduos orgânicos. Outro tema tratado neste dia foi a questão da compostagem e captura de carbono pelo solo.

Durante o evento, foi elaborada a Declaração de GAIA em Paris sobre Resíduo Zero pela Justiça Climática, na qual a Aliança declara que as soluções reais através de ações para as mudanças climáticas está nas mãos da sociedade civil. Após 23 anos de negociações os governos não chegam a atingir ações significativas nas questões climáticas, afirma o documento. Ainda, a declaração faz menção à reconstrução do incinerador de Paris, o Ivry, e a GAIA se solidariza com aqueles que sofrem as consequências ambientais e na saúde humana, afirmando ser uma fonte de energia suja e um caminho de retrocesso.

Fonte: Instituto Pólis

Sucesso de possível novo acordo climático global na COP21 dependerá de governança

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Elton Alisson | Agência FAPESP – O sucesso de um novo acordo global de redução de emissões de gases de efeito estufa que poderá ser estabelecido durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), prevista para ocorrer no início de dezembro, em Paris, dependerá da estruturação de um sistema de governança eficiente para implementá-lo.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes de dois encontros promovidos pelos programas de pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), Bioenergia (BIOEN) e Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA) da FAPESP, realizados nos dias 6 e 7 de outubro, na sede da Fundação, sobre temas que serão debatidos durante a COP21.

“Sem um sistema de governança, qualquer decisão tomada na COP21 poderá ser inócua como foi o Protocolo de Kyoto”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), durante um workshop sobre a COP21 para jornalistas, realizado no dia 6 de outubro, na FAPESP.

De acordo com Artaxo, as metas de reduzir em torno de 5,2% as emissões de gases de efeito estufa entre os anos de 2008 e 2012 – as quais os países que ratificaram o Protocolo de Kyoto se comprometeram a atingir – não foram implementadas. E, desde que o tratado foi assinado, em 1997, na cidade de Kyoto, no Japão, e ratificado por 167 países – não incluindo os Estados Unidos –, as emissões cresceram de forma muito significativa.

A fim de evitar que o problema se repita com o novo acordo global previsto para ser fechado durante a COP21 e com início de validade proposto a partir de 2020, é preciso criar um forte sistema de governança para cobrar o cumprimento das metas de redução de emissão de gases de efeito estufa a serem acordadas pelos países, afirmou.

“O Brasil e outros países, como os Estados Unidos e a China, anunciaram suas metas de redução de gases de efeito estufa [INDCs, na sigla em inglês] que levarão para a COP21. Se, no futuro, essas INDCs se tornarem obrigações legais, quem monitorará se essas nações estão cumprindo ou não o compromisso que assumiram?”, apontou Artaxo.

Segundo o pesquisador, hoje estão sendo emitidos anualmente em todo o mundo, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, 37 gigatoneladas (Gt) de gás carbônico (CO2), com um aumento de 2,5% ao ano.

Os quatro maiores emissores hoje são a China – que é responsável por quase 25% do total das emissões globais anuais de CO2 –, seguida pelos Estados Unidos, a União Europeia e a Índia, que nos próximos anos poderá aumentar suas taxas de emissão seguindo o mesmo ritmo de crescimento da China, apontou Artaxo.

Se for mantido o atual cenário de crescimento das emissões globais em 2,5% ao ano, a temperatura na Terra poderá aumentar entre 3,2 ºC e 5,4 ºC ao longo deste século em razão das mudanças no balanço de radiação do planeta, indica um dos cenários projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

A fim de limitar o aumento da temperatura em 2 ºC na média global – que se refletiria em uma elevação de 3 ºC na temperatura de áreas continentais do planeta, uma vez que têm menor capacidade térmica e de absorção de carbono em comparação com os oceanos –, será preciso diminuir as emissões em torno de 70% a partir de agora e zerá-las em 2050, aponta outro cenário intermediário projetado pelo IPCC.

“Se combinarmos as INDCs anunciadas pelo Brasil, China, Estados Unidos, União Europeia, México e Rússia que, juntas, representam cerca de 80% das emissões atuais, nem de longe será possível limitar o aumento da temperatura média em 2 ºC e estabilizar as concentrações de CO2 na atmosfera do nosso planeta”, afirmou Artaxo.

As INDCs anunciadas indicam um aquecimento médio global de 2,7 ºC em 2050 em comparação com os padrões pré-industriais, o que significa um aquecimento nas áreas continentais do planeta entre 3 ºC e 3,5 ºC, ressaltou.

Uma das estratégias para conseguir limitar o aumento da temperatura global em até 2 ºC nas próximas décadas, segundo o pesquisador, é combinar a redução das emissões de CO2 com a de outros gases de efeito estufa associados, como o metano, hidrofluorcarbonetos (HFC), precursores de ozônio e fuligem.

Esses gases têm meia-vida atmosférica – como é chamado o tempo de permanência na atmosfera – muito menor do que a do CO2.

Enquanto a meia-vida do CO2 pode chegar a centenas de anos, a do metano é de 12 anos e a dos HFCs é de 15 anos. Já o ozônio e a fuligem têm meia-vida variável entre alguns dias e semanas, comparou Artaxo.

“Todos esses gases de meia-vida curta também causam aquecimento da atmosfera. Se conseguirmos reduzir a emissão desses gases, juntamente com a de CO2, o efeito no sistema climático será muito mais rápido. Além disso, é possível reduzir o número de mortes pela poluição do ar urbano, uma vez que a fuligem e o ozônio são importantes poluentes”, afirmou o pesquisador que está coordenando uma série de estudos sobre a redução de emissões de fuligem, precursores de ozônio e metano na América Latina para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês).

Em sua avaliação, não se pode esperar que a COP21 resulte em um acordo global que garanta que a temperatura do planeta não suba acima de 2 ºC. E, se isso ocorrer, não representará um fracasso da conferência.

“A COP21 deverá ser um marco importante porque representará o início de um processo de transformação de produção e consumo de energia no mundo, a fim de diminuir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global, que levará décadas para ser implementado”, estimou.

 

Leia a matéria na integra em http://agencia.fapesp.br/sucesso_de_possivel_novo_acordo_climatico_global_na_cop21_dependera_de_governanca/22058/