Mostra Ecofalante tem filme sobre catadores de materiais recicláveis

A partir do filme “O Homem do Saco”, exibido às 19h30, da última terça-feira (28) , no Centro Cultural de São Paulo, os diretores dos filmes responderam às questões sobre situação dos catadores de materiais recicláveis, ainda hoje muito negligenciados. 

O homem do Saco

Na última terça-feira (28) ocorreu o lançamento do filme “O Homem do Saco” na 5ª Mostra Ecofalante, no Centro Cultura de São Paulo, com a presença de dois diretores, Felipe Kfouri e Rafael Halpern, e alguns participantes, como Elisabeth Grimberg, co-promotora da Aliança Resíduo Zero Brasil e Coordenadora de Resíduo Sólidos no Instituto Pólis.

O filme mostra o depoimento de vários catadores avulsos e cooperados associados que contam suas histórias, experiências e o preconceito vivido diariamente. O catador é apresentado como um real agente ambiental que ajuda no retorno dos materiais recicláveis ao ciclo de produção e, também é mostrada sua luta pela valorização da profissão, do pagamento pelo serviço prestado e pelo tratamento e condições dignas de trabalho como catadores de materiais recicláveis.

Segundo os diretores, a “ideia deste filme surgiu da intenção de fazer um curta de ficção cujo protagonista era um catador e, ao tentar escrever um roteiro, percebemos que não conhecíamos direito o modo de viver, falar e trabalhar de um catador e decidimos fazer um curta documentário para entender melhor a sua realidade.” Assim através de cada entrevista realizada, e em um processo de conhecimento, reflexão e questionamento, o curta transformou-se num longa, definindo que ninguém melhor do que os próprios protagonistas para contar suas narrativas.

No final do filme foi levantado um debate sobre os catadores, e os diretores ouviram de muitas pessoas presentes que depois do filme vão olhar com mais atenção para estes seres humanos que muitas vezes passam despercebidos, mesmo possuindo um papel fundamental na cadeia de reciclagem da cidade.

Durante o debate Elisabeth Grimberg comentou seu envolvimento com o tema e disse que o filme traz “vigorosamente a figura do catador”, de sua realidade, e destaca a importância de cobrar do setor privado sua responsabilidade quanto à logística reversa, ou seja, assumirem o custeio da coleta seletiva e o pagamento pelo serviço prestado pelas cooperativas e associações de catadores. Lembrou que as prefeituras podem acessar recursos da União como prevista na PNRS para construção de unidades de triagem operadas por cooperativas de catadores, assim como a aquisição de equipamentos e EPI. Mas o poder municipal não é mais responsável pelo gerenciamento dos materiais recicláveis. Rafael Halpem reforçou a ideia de responsabilidade dos três membros desta cadeia (setor público, privado e membros da sociedade), que todos devem fazer sua parte e ressaltou que há uma geração desnecessária de resíduos pelos fabricantes, tal como a embalagem de pasta de dente. Na percepção dos diretores do filme o debate foi notável por criar um diálogo e uma convivência com os catadores presentes, quebrando muitos paradigmas que a sociedade de forma geral possui.

O filme passará por mais alguns festivais este ano e será exibido em cooperativas e outras organizações aos catadores e público geral. Após essas projeções pretende-se divulgar o filme de forma gratuita para diluir a questão na sociedade.

 

Responsáveis pela realização do filme:

– Rafael Halpern – Formado em comunicação social (FAAP) com MBA em ciências do consumo aplicadas (ESPM). Diretor, montador, produtor e roteirista do filme.

– Felipe Kfouri – Cursou a faculdade de multi-meios (PUC). Diretor, montador, produtor e roteirista do filme.

– Carol Wachockier – Formada em cinema (FAAP), com pós-graduação em direção de fotografia (ESCAC – Barcelona) e certificado em direção pela UCLA (Los Angeles). Diretora, montadora, produtora e roteirista do filme.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.