Porto Alegre, RS - 01/06/2015 Resíduos domiciliares de Porto Alegre e outros 130 municípios serão transformados em energia Foto: Divulgação/PMPA
Porto Alegre, RS – 01/06/2015
Resíduos domiciliares de Porto Alegre e outros 130 municípios serão transformados em energia
Foto: Divulgação/PMPA

Geração de resíduos é desperdício de Energia

A filosofia do resíduo zero também tem uma interface grande com a questão energética, pois uma vez analisando as características dos resíduos gerados, podemos verificar que em algum momento de seu processo produtivo houve um uso de energia. Muito se fala dos casos de “sucesso” que são por exemplo a reciclagem do alumínio e do PET, porém a produção desses produtos demanda uma grande quantidade de energia em seu processo produtivo. Ou seja, qualquer resíduo que é gerado significa um desperdício de energia.

Quando falamos de resíduo zero, pensamos na hierarquia da gestão de resíduos, que em primeiro lugar preza pela não geração e pela redução. Devemos usar o que realmente necessitamos, e da forma mais eficiente, e neste caso a forma mais eficiente é a redução dos resíduos ao máximo. Nos exemplos citados acima, as embalagens de alumínio e de PET, podemos notar uma disparidade entre o que é realmente necessário e a quantidade de desperdício nesses setores, que são energointensivos. As empresas de alumínio utilizam 8% de toda a energia elétrica do país e cerca de 2% no mundo, e mais de 20% do alumínio produzido no Brasil é destinado para embalagens. Ao produzirem embalagens descartáveis só contribuem para uma maior geração de resíduos.

Outro setor que contribui significantemente com a quantidade de resíduos gerados é o setor de alimentos. Uma vez que a composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos coletados no Brasil, tem nos resíduos orgânicos uma porcentagem de 51,4% equivalente a quase 95 mil toneladas dia (IBGE, 2010). Em toda a cadeia dos alimentos há perdas significativas, desde a produção até os restos de alimentos de nossos pratos. E também neste setor há um consumo energético, seja ele na irrigação, no transporte ou no processamento dos alimentos e suas embalagens. Portanto o desperdício de alimentos também significa o desperdício de energia.

É evidente que para afirmar quanto ao impacto de algumas rotas, especialmente quando se fala de balanço energético é necessário se fazer um balanço mais apurado através de metodologias cientificas, como a Análise de Ciclo de Vida, pois não é suficiente apenas a afirmação de que por exemplo, o vidro é melhor que o alumínio e o plástico, pois também essa rota tem seus impactos. O que se questiona é se quando da concepção de certos produtos se leva em consideração o seu impacto ao meio ambiente, tanto no consumo energético quanto na geração de resíduos.

http://www.socioambiental.org/esp/bm/dest.asp

http://www.abal.org.br/estatisticas/nacionais/transformados/consumo-domestico-por-produto/

Autor: Clauber Barão Leite