Dos ODM para os ODS: resultados e desafios

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Da esquerda para a direita: Nina Orlow (Nossa São Paulo e ARZB), Clauber Leite (ARZB), Maria Auxiliadora dos Prazeres (COOPERCRAL), Paulo Renato dos Prazeres (COOPERCRAL ehomenageado pelo Estado de São Paulo), Juliana Belko (ARZB) Elisabeth Grimberg (Instituto Pólis e ARZB) e Delaine Romano (Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste e ARZB)

Na noite de terça-feira, 22, ocorreu durante a Conferência Ethos 360º diálogo sobre a transição dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) criados, pela Organização das Nações Unidas, ONU. A nova Agenda 2030, inclui 17 ODS e 169 metas a serem alcançadas, por todos os governos signatários, nos próximos 15 anos.

Participaram do encontro: Caio Magri, Diretor executivo do Instituto Ethos, Gilberto Carvalho, Presidente do Conselho Nacional do SESI, Jorge Abrahão, Diretor-presidente do Instituto Ethos, Percival Caropreso, Fundador e presidente da Setor Dois e Meio Comunicação de Marketing, Renata Seabra Diretora executiva da Rede Brasileira do Pacto Global, Rodrigo da Rocha Loures, Secretário executivo do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade e Sérgio Andrade, Diretor executivo da Agenda Pública.

Destacamos alguns pontos do diálogo, todos convergindo para uma perspectiva promissora da nova Agenda 2030 a ser aprovada agora em Setembro pela ONU.

Jorge Abrahão, diretor-presidente do Ethos falou que começamos a reconhecer os impactos humanos no planeta e as mudanças climáticas. Segundo ele o Brasil conseguiu avançar em algumas políticas públicas por conta dos ODM e agora precisamos verificar como as empresas podem se integrar a os ODS, com uma agenda de mobilização com de impacto nacional e local. É estratégia dos ODS reunir agendas públicas, empresas, o terceiro setor e pensar os seus objetivos de forma integrada.

Com outro enfoque Percival Caropreso, fundador e presidente da Setor Dois e Meio Comunicação de Marketing, abordou a simplicidade, a linguagem direta e objetiva dos símbolos dos ODM baseada s em placas de trânsito, a mesma linguagem proposta agora para os ODS.

Foi exibido um vídeo mostrando o sucesso dos símbolos durante a campanha dos ODM, idealizados pelo Percival e utilizados pelo mundo todo.

A Rede Brasileira do Pacto Global, criada em 2005 pela ONU visando trazer o setor empresarial para esta discussão. foi representada pela diretora executiva Renata Welinski da Silva Seabra, que ressaltou a importância dos impactos das obras governamentais no meio ambiente e na sociedade. Lembrou –nos da situação dos índios no Mato Grosso do Sul e das comunidades internacionais.

Gilberto Carvalho, ressaltou que os avanços dos ODM no Brasil, foram conquistados principalmente com a parceria entre o governo e a sociedade, numa perspectiva democrática e participativa, e destacou  que a nova Agenda terá continuidade nos avanços, desde que mantida essa mesma força, resultante da responsabilidade dos governos e da participação, cooperação e solidariedade coletiva.

Ao final foram homenageadas lideranças estaduais que atuaram no processo dos ODM e receberam troféus simbolizando a passagem dos ODM para os ODS, produzidos pela Cooperativa Dedo de Gente do Vale do Jequitinhonha.

Um dos homenageados pelo Estado de São Paulo foi o senhor Paulo Renato dos Prazeres*, cooperado da Cooperativa Cratera Limpa, COOPERCRAL, localizada em Parelheiros, no bairro Vargem Grande, na Cratera de Colônia, patrimônio geológico do município de São Paulo.

Estiveram presentes representando a Aliança Resíduo Zero Brasil: Delaine Romano, Juliana Belko, Nina Orlow, Elisabeth Grimberg e Clauber Leite.

 

Por Juliana Belko, para o portal ARZB.

 

*Paulo Renato dos Prazeres tem 63 anos e é catador de materiais recicláveis desde 2005.

Foi fundador e trabalha na Cooperativa de Catadores de Parelheiros Cratera Limpa, COOPERCRAL, que fica dentro da Cratera da Colônia, Vargem Grande, Parelheiros.  A cratera foi originada pelo impacto  de meteoro, estimado com 200m de diâmetro,  há milhões de anos e é patrimônio geológico da cidade  tombado pelo Condephaat. Localizada no extremo sul de São Paulo, hoje é área urbanizada e área de proteção ambiental.

A COOPERCRAL não tem veículo nem sede própria e recebe materiais para reciclagem como  plásticos em geral, celulose,  papelão,  jornal, material ferroso , vidro, garrafas e eletrodomésticos. Faz trabalho de conscientização e nas escolas e na comunidade da região sempre em defesa importância da coleta seletiva, o cuidado com o consumo e o descarte, e no cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos..

Renato integra o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Rede Cata Sampa e sempre lutou não só pela melhoria da região e a valorização da categoria de catadores através de formas de produção  cooperativas e populares, mas também apoiando e integrando  diversos movimentos  e iniciativas que melhoram a qualidade de vida e transformam a sociedade tornando a mais justa e sustentável. Ajuda também a promover outras cooperativas e movimentos em prol da coleta seletiva e contra a incineração.

Participa do Movimento Estadual pelos Objetivos de Desenvolvimento do  Milênio,  Nós Podemos São Paulo, desde 2008. Busca sempre participar das reuniões e de iniciativas em prol dos ODM, dedicando-se à causa coletiva, o que significa períodos de ausência na cooperativa de catadores, com o apoio e aval da COOPERCAL, especialmente de sua esposa a Maria Auxiliadora que também é catadora.

Pela sua dedicação e luta pela permanente pelas questões socioambientais e de sustentabilidade na prática, recebe de nós a homenagem.

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