Cidade japonesa pretende ser a primeira do mundo a ter lixo zero

A cidade já recicla ou composta 80% do lixo produzido. Mas, em quatro anos a prática deve ser universalizada.

São 34 divisões para a separação do lixo e todos são obrigados a respeitá-las. | Foto: Reprodução/YouTube
São 34 divisões para a separação do lixo e todos são obrigados a respeitá-las. | Foto: Reprodução/YouTube

 

O município de Kamikatsu, em Tokushima, Japão, já é referência mundial em reciclagem. No entanto, os objetivos da cidade para os próximos anos são ainda mais ambiciosos: chegar a produção zero de resíduos.

Para alcançar este alvo, o passo mais importante é a conscientização. Cada um dos 1.700 habitantes é totalmente responsável pelo lixo que produz. Isso significa cuidar da higienização, separação e entrega dos materiais nos pontos de coleta.

Reciclar não é uma tarefa simples em Kamikatsu. Diferente do que acontece em algumas cidades brasileiras que dispõem de serviços de coleta seletiva, os moradores do município japonês não contam com caminhões que fazem a retirada porta a porta. Eles mesmos precisam levar seus resíduos até os postos de recebimento.

Outro cuidado que demanda muito mais trabalho está na hora da separação dos materiais. Enquanto um padrão mundial consiste em dividir os resíduos em: papel, plástico, alumínio, vidro e orgânicos, no Japão o sistema é muito mais complexo e detalhado, são 34 divisões para a separação do lixo e todos são obrigados a respeitá-las.

Atualmente os índices de reciclagem em Kamikatsu já são bem altos. A cidade já recicla ou composta 80% do lixo produzido. Os 20% restantes são destinados a lixões. Mas, em apenas quatro anos essa deverá ser uma prática extinta.

A primeira mudança aplicada na cidade foi a diminuição no montante incinerado. Os processos de reaproveitamento e reciclagem de resíduos permitiu que o município queimasse menos materiais e cortasse os custos com o processo em um terço. O segundo passo para chegar ao lixo zero é trabalhar o consumo consciente. Para isso, nas centrais de coleta, os moradores podem também doar materiais usados ou trocá-los por objetos feitos a partir de resíduos reaproveitados, como ursinhos de pelúcia, bolsas, agasalhos, entre outros, disponibilizados gratuitamente, como incentivo ao reúso.

Pode parecer um esforço grande, mas os moradores locais garantem que ao implementar as práticas na rotina, ela se torna algo simples e natural. Em um vídeo produzido pelo canal Seeker Stories, no Youtube, Hatsue Katayama, explica como é a experiência para ele. “Se você começa a fazer [a separação dos resíduos], se torna natural. Agora, eu não penso sobre isso. Já é natural pra mim separar o lixo adequadamente.”

Fonte: CicloVivo

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